Beleza e higiene nas mãos da classe C
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de março de 2011
Aline Vilalva <br> Reportagem Local 
O consumo de produtos de beleza e higiene pessoal cresceu entre as classes mais baixas. Em Londrina, lojas de cosméticos experimentaram aumento de aproximadamente 40% nas vendas nos últimos dois anos. O percentual de consumidores da classe C teve forte alta entre 2003 e 2010, segundo dados do levantamento realizado pelo instituto Data Popular.
O uso do creme facial, por exemplo, cresceu 160% entre pessoas da classe C. Hoje, 60% dessa faixa de renda usa o produto - mesmo percentual das classes AB. Os gastos com higiene e beleza nessa faixa de renda cresceram 725% em oito anos, de R$ 2,4 bilhões em 2002 para R$ 19,8 bilhões em 2010.
A gerente da Leo Cosméticos, Marta Vioto, observa que há dois anos as pessoas passaram a se preocupar mais com a proteção da pele enquanto fator ligado à beleza, inclusive em estações mais frias. ''No inverno passado tivemos falta de protetor solar porque não esperávamos uma demanda tão grande''. A loja tem clientes de todas os níveis sociais, mas 50% da clientela é composta pela classe C, que consome produtos mais baratos. ''Variedade é a palavra de ordem quando falamos de batom e sombra. A maioria das clientes prefere as marcas mais em conta para poder levar várias tonalidades'', revela Marta. Já para corretivo, base e pó, independentemente de serem mais caros, a preferência é por qualidade.
Há seis anos, quando foi lançado o curso de automaquiagem da loja, era muito difícil fechar turma para ao menos uma vez ao mês. ''Hoje temos edições quinzenais com até 40 alunas, o que comprova o interesse da população pela maquiagem'', afirma a gerente. Naquele comércio, os displays de maquiagem estão instalados verticalmente para poder comportar a variedade de cores e produtos. ''O mesmo acontece com esmaltes, cremes corporais, faciais e demais itens voltados para a beleza'', acrescenta Marta.
O fortalecimento da classe C beneficiou as empresas que apostaram no segmento. O aumento de penetração desses produtos entre as faixas de renda mais baixas elevou a participação da classe C no consumo total. A feira Londrina Beauty, por exemplo, realizada anualmente pela Leo Cosméticos, contou com 400 participantes na primeira edição (denominada Leo Fest - voltada apenas a profissionais), 700 na segunda e 12 mil na terceira edição (aberta também para consumidores finais). A expectativa de público para a quarta edição, que acontecerá em junho, é de 20 mil pessoas.
Cuidados pessoais
Dos R$ 43,4 bilhões gastos em higiene e cuidados pessoais em 2010, 45,64% vieram da classe C, ante 36,61% das faixas AB. Em 2002, o índice era 26,7%. Em quase todos os produtos pesquisados (como creme corporal, maquiagem, desodorante e creme dental), a classe C responde por mais de metade do consumo.
Os consumidores têm investido mais na beleza e saúde bucal. Em um ano e meio a venda de enxaguante bucal cresceu aproximadamente 30%, conforme Marta Vioto. ''Os clientes estão mais exigentes, preferem produtos de qualidade. Antes queriam o mais barato, mas agora optam pelo melhor, mesmo sendo mais caro'', atesta. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o consumo de enxaguante na classe C cresceu 427% em cinco anos. (Com FolhaPress)


