A Belagrícola, empresa do setor agrícola, alugou o primeiro piso do prédio onde ficava o Eco Mercado Palhano por dez anos, para transformá-lo em sede do grupo em Londrina. A construção inaugurada em setembro de 2011 como um novo conceito em centro de compras, em frente ao Lago Igapó 2, passou a sofrer com o fechamento de lojas desde o fim de 2012 e está com quase todas as operações fechadas. Os valores da transação não foram divulgados e o contrato, negociado nos últimos dois meses, foi firmado no fim da tarde de ontem.
Dos 40 espaços iniciais, apenas um bar e um restaurante resistem no deque superior do local. Inicialmente, os diretores da Belagrícola dizem que o primeiro piso e 100 vagas das 200 do estacionamento são mais do que o necessário para comportar os 300 funcionários do grupo, que hoje trabalham em quatro prédios diferentes. A previsão de inauguração da sede da empresa no antigo Eco Mercado é em abril.
Além dos 3,4 mil metros quadrados do primeiro piso, a Belagrícola ocupará 100 das 200 vagas de estacionamento. O restante ainda permanecerá nas mãos de uma empresa privada, para atender aos bares do deque superior.
Construído sob conceitos de edificação sustentável e com várias certificações ambientais, o Eco Mercado não prosperou como centro de compras. Grande parte dos lojistas abandonou o empreendimento e os que resolveram ficar sentiram a queda no movimento. Especulações de que o proprietário do local e presidente da Raul Fulgêncio Negócios Imobiliários, Raul Fulgêncio, estivesse em busca de um grande empreendimento para ocupar todo o prédio assustaram os últimos locatários. Ele nunca confirmou qualquer negociação.
O empreendimento foi constituído com a venda de cotas, as quais Fulgêncio afirma ter comprado de volta depois do fechamento da maioria das operações, há cerca de três meses, sem que os investidores perdessem dinheiro. "Não dando certo, as pessoas ficaram sem renda e, no que pese o fato de não ter compromisso legal de fazer isso, as pessoas estavam dispostas a vender as cotas de volta e nós as compramos", diz Fulgêncio, que passou a ser dono único pela empresa LL Participações, que ele também controla.
Três ou quatro empresas, de setores como comunicação, eventos e saúde, chegaram a negociar com Fulgêncio, mas ele não divulga nomes ou por que não houve acerto. Porém, ele ressalta que o empreendimento foi idealizado não apenas como centro de compras. "É um prédio flexível para se adequar a outras atividades caso fosse necessário", diz o vice-presidente do grupo, Leandro Fulgêncio.

Sede sustentável
O presidente da Belagrícola, João Andreo Colofatti, afirma que o maior atrativo foi poder reunir todos os funcionários administrativos em uma sede. Eles ficam divididos hoje em quatro locais diferentes, o que levou a empresa a comprar um terreno em Londrina. Porém, a oportunidade de ocupar o prédio do Eco Mercado fez com que desistissem de investir na construção de um escritório próprio.
O estacionamento para clientes e funcionários também interferiu na decisão. Para Coloffati, serão necessários poucos ajustes no local. "Teremos de ajeitar o piso, instalar repartições baixas, mas não vamos mexer na estrutura ou na arquitetura do prédio", diz.
O vice-presidente da Belagrícola, Flavio Andreo, diz que a questão financeira foi o menos decisivo na negociação com Fulgêncio. "Preservar o espírito do imóvel, o contexto, tudo foi importante na decisão. O contrato é sólido, de longo prazo e vai valorizar e usar todo o potencial do imóvel de forma positiva para as duas empresas."

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