O governo realizou ontem uma das maiores privatizações de serviços de telecomunicações no mundo, obtendo R$ 2,647 bilhões pela entrega do mercado de telefonia celular na região metropolitana de São Paulo (Área 1) ao consórcio BCP S.A. A empresa disputará com a Telesp os clientes da região, que possui mais de 15 milhões de habitantes. O consórcio é formado pelos grupos Safra, Bell South, O Estado de S.Paulo e Splice. O resultado só será oficializado caso, dentro de cinco dias, nenhum concorrente apresente recurso contra a decisão da Comissão de Licitação.
A licitação da Área 9 (Bahia e Sergipe) também foi ontem: venceu a empresa Vicunha Telecomunicações, que pagou um ágio de 8,69% sobre o preço mínimo estabelecido pelo edital. A Vicunha ofereceu R$ 250 milhões pela concessão, R$ 20 milhões a mais que o preço mínimo. A proposta de tarifas da empresa foi 20,21% inferior ao valor máximo da cesta de tarifas (que reúne a média das tarifas do serviço móvel celular) estabelecido pelo ministério. A cesta básica custará R$ 66,30, enquanto o valor máximo era de R$ 83,09.
Somando-se os valores arrecadados com a licitação para a região Centro-Oeste (Área 7), a arrecadação do governo com a Banda B já atinge R$ 3,236 bilhões, quase o mesmo valor obtido com a venda da Companhia Vale do Rio Doce.
O presidente da Bell South Latin América, empresa americana de telecomunicações, Roberto Peón, não se mostrou preocupado com o valor que pagará ao governo federal, que atingiu um ágio de 341% sobre o preço mínimo de R$ 600 milhões estabelecido pelo edital. A oferta do BCP também foi 62% maior que a do segundo colocado (o consórcio TT-2). ‘‘Este será um dos melhores negócios que vamos ter’’, previu.
O grupo foi o vencedor, embora tenha apresentado a média de tarifas mais elevada dentre os concorrentes, no valor de R$ 82,42. Esta cesta tarifária ficou apenas 2,4% abaixo do preço máximo previsto no edital. O menor preço médio oferecido na licitação, do Consórcio Avantel, foi de R$ 59,74. As tarifas, no entanto, tinham peso de apenas 40%, e o valor pela concessão tinha peso de 60%, o que tornou a pontuação da BCP a melhor da disputa.
O presidente do Banco Safra, Carlos Alberto Vieira, afirma que o cálculo do valor pago foi realista e baseado na experiência da Bell South. ‘‘Os valores refletem nossa expectativa, e a realidade e potencialidade do mercado de São Paulo, que tem maior renda per capita do Brasil’’, disse.
A proposta financeira apresentada pelo Consórcio BCP S.A. sinaliza uma prioridade do grupo, nesta fase inicial, em atrair clientes que utilizem o telefone mais para ligações interurbanas e interestaduais do que em ligações locais. Nas ligações locais, o assinante da empresa privada irá pagar uma tarifa 11,1% maior que a cobrada pela Telesp. Cada minuto de conversa local, sem imposto, custará R$ 0,30, contra R$ 0,27 da Telesp.

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