BC volta a intervir para conter dólar
Agência Estado
De São Paulo
Duas semanas depois, o Banco Central voltou ontem ao mercado de câmbio para vender dólares e impedir que a alta da moeda norte-americana pudesse comprometer as metas de inflação, que já acusa forte influência da desvalorização cambial dos últimos três meses. Embora o BC tenha adotado o regime de câmbio flutuante, as recentes intervenções sugerem que a flutuação tem um limite chamado inflação.
O dólar abriu em alta ontem pela manhã, dando sequência ao movimento iniciado na tarde de anteontem, quando o mercado começou a operar com expectativa de que a primeira prévia do IGP-M ficaria acima do esperado. O IGP-M de 1,14% acabou confirmando essa expectativa. O dólar chegou a atingir a máxima de R$ 1,9450 na manhã de ontem, em alta de 0,36% em relação ao fechamento da véspera. Nesse ponto, o Banco Central consultou as mesas de operações, vendendo dólares aos dealers.
Da mesma forma como há duas semanas, a atuação do BC ontem também jogou os preços do dólar para baixo. No encerramento dos negócios, a cotação da moeda era cotada a R$ 1,9300, em queda de 0,41%. Operadores comentam que o volume de dólares vendidos pelo BC não teria sido expressivo. Mas dois bancos teriam atuado de forma decisiva na ponta de venda. De acordo com operador ouvido pela AE, apenas um desses bancos teria despejado cerca de US$ 200 milhões no mercado.
A intervenção do Banco Central no câmbio e a elevação da perspectiva para o rating brasileiro, anunciada pela Standard & Poors, permitiram que as bolsas de valores retomassem o movimento de alta ontem. O Ibovespa fechou em alta de 1,71%, com volume negociado de R$ 737,179 milhões.
Pela manhã, a bolsa paulista havia operado em baixa, refletindo a apreensão do mercado com a primeira prévia do IGP-M de novembro e a pressão no câmbio, que chegou a bater em R$ 1,945 antes da atuação do BC. Na mínima, o Ibovespa registrou baixa de 0,51%. Contudo, assim que o relatório da S&P foi divulgado, surgiram os compradores.
O mercado futuro de juros abriu pressionado ontem, ainda refletindo o impacto da primeira prévia do IGP-M (1,14%), que ficou bem acima do esperado. Contudo, houve forte movimento de compra de contratos de DI futuro à tarde e as projeções fecharam o dia ajustadas ao encerramento dos negócios ontem.





