BC vende títulos para segurar dólar
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sexta-feira, 07 de novembro de 1997
Agência Folha Brasília 
O Banco Central marcou para hoje um leilão de R$ 1,5 bilhão em títulos corrigidos pela variação do dólar, numa tentativa de acalmar o mercado e demonstrar sua disposição de não alterar a atual política cambial. Ontem, o mercado de dólares operou com nervosismo, devido a boatos sobre a quebra de instituições financeiras e ao vencimento de títulos lançados por empresas brasileiras no exterior.
A cotação da moeda norte-americana subiu durante a tarde e chegou muito próximo do teto da minibanda (limite informal para a cotação do dólar). O teto fixado pelo BC para a minibanda está em R$ 1,1085. A cotação do dólar comercial chegou a atingir R$ 1,1084 e retrocedeu logo em seguida para R$ 1,1081.
O governo vem acompanhando de perto a cotação da moeda norte-americana. O aumento do preço do dólar é visto como um alarme, pois pode significar que o mercado aposta numa hipotética desvalorização do real. Ontem, o aumento da procura pela moeda estrangeira era explicado pelo vencimento de títulos que empresas brasileiras vendem no exterior. Estimativas do mercado apontam que em novembro vencem US$ 1,4 bilhão em títulos públicos e privados. Em dezembro, o vencimento seria de US$ 1,8 bilhão.
Os bancos e corretoras estariam enfrentando dificuldades para fazer a rolagem de parte desses títulos, pois correm boatos no exterior sobre a possibilidade de quebra de instituições brasileiras. Diante da dificuldade de rolar esses títulos, bancos e corretoras estariam sendo obrigados a liquidar suas dívidas no exterior. Para isso, têm que comprar dólares e remetê-los para fora do País.
Os bancos brasileiros abriram uma ofensiva contra os boatos, sustentando que teriam origem em instituições estrangeiras interessadas em fragilizar o mercado nacional, com objetivo de aumentar o seu espaço. O BC informou ontem que não existe nenhum banco com problemas patrimoniais, e os que tinham necessidade de caixa se financiaram na semana passada. As instituições brasileiras também poderiam estar preferindo liquidar seus empréstimos em títulos porque os juros no exterior aumentaram.
O spread (juros efetivos, descontado o câmbio) aumentou e, nesse momento, tornou desfavorável o refinanciamento desses títulos no exterior, disse o economista-chefe do Citibank, Carlos Cawal. Os investidores estrangeiros estariam receosos com a vulnerabilidade da economia e exigem juros maiores para emprestar para as empresas brasileiras.
O discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso não foi forte o suficiente para sinalizar uma redução do risco Brasil, disse Roberto Padovani, da Tendências Consultoria Integrada. Ontem, apesar da alta do dólar comercial, o BC não foi obrigado a interferir no mercado, como na semana passada, por meio de leilões de venda da moeda norte-americana.
BolsasO mercado financeiro não encontrou o novo patamar de preços depois da crise. Ontem a Bolsa de São Paulo oscilou muito e fechou com desvalorização de 5,54%. A Bolsa do Rio também teve baixa, e fechou com desvalorização de 2,75%.


