O Banco Central marcou para hoje um leilão de R$ 1,5 bilhão em títulos corrigidos pela variação do dólar, numa tentativa de acalmar o mercado e demonstrar sua disposição de não alterar a atual política cambial. Ontem, o mercado de dólares operou com nervosismo, devido a boatos sobre a quebra de instituições financeiras e ao vencimento de títulos lançados por empresas brasileiras no exterior.
A cotação da moeda norte-americana subiu durante a tarde e chegou muito próximo do teto da minibanda (limite informal para a cotação do dólar). O teto fixado pelo BC para a minibanda está em R$ 1,1085. A cotação do dólar comercial chegou a atingir R$ 1,1084 e retrocedeu logo em seguida para R$ 1,1081.
O governo vem acompanhando de perto a cotação da moeda norte-americana. O aumento do preço do dólar é visto como um alarme, pois pode significar que o mercado aposta numa hipotética desvalorização do real. Ontem, o aumento da procura pela moeda estrangeira era explicado pelo vencimento de títulos que empresas brasileiras vendem no exterior. Estimativas do mercado apontam que em novembro vencem US$ 1,4 bilhão em títulos públicos e privados. Em dezembro, o vencimento seria de US$ 1,8 bilhão.
Os bancos e corretoras estariam enfrentando dificuldades para fazer a rolagem de parte desses títulos, pois correm boatos no exterior sobre a possibilidade de quebra de instituições brasileiras. Diante da dificuldade de rolar esses títulos, bancos e corretoras estariam sendo obrigados a liquidar suas dívidas no exterior. Para isso, têm que comprar dólares e remetê-los para fora do País.
Os bancos brasileiros abriram uma ofensiva contra os boatos, sustentando que teriam origem em instituições estrangeiras interessadas em fragilizar o mercado nacional, com objetivo de aumentar o seu espaço. O BC informou ontem que não existe nenhum banco com problemas patrimoniais, e os que tinham necessidade de caixa se financiaram na semana passada. As instituições brasileiras também poderiam estar preferindo liquidar seus empréstimos em títulos porque os juros no exterior aumentaram.
‘‘O ‘spread’ (juros efetivos, descontado o câmbio) aumentou e, nesse momento, tornou desfavorável o refinanciamento desses títulos no exterior’’, disse o economista-chefe do Citibank, Carlos Cawal. Os investidores estrangeiros estariam receosos com a vulnerabilidade da economia e exigem juros maiores para emprestar para as empresas brasileiras.
‘‘O discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso não foi forte o suficiente para sinalizar uma redução do risco Brasil’’, disse Roberto Padovani, da Tendências Consultoria Integrada. Ontem, apesar da alta do dólar comercial, o BC não foi obrigado a interferir no mercado, como na semana passada, por meio de leilões de venda da moeda norte-americana.
BolsasO mercado financeiro não encontrou o novo patamar de preços depois da crise. Ontem a Bolsa de São Paulo oscilou muito e fechou com desvalorização de 5,54%. A Bolsa do Rio também teve baixa, e fechou com desvalorização de 2,75%.

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