Brasília - A permanência da inflação em um patamar acima do esperado pelo próprio governo deve levar o Banco Central a elevar novamente a taxa básica de juros (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para o fim de fevereiro. Essa foi a sinalização passada ontem pela instituição, na ata da reunião realizada na semana passada, quando a autoridade monetária surpreendeu parte do mercado e elevou os juros de 10% para 10,50% ao ano.
Para os analistas, o BC deixou aberta a possibilidade tanto de realizar um novo aumento de 0,50 ponto porcentual como de reduzir o ritmo de aperto para 0,25 ponto porcentual. Antes da divulgação, parte dos analistas avaliava que a instituição poderia até manter os juros no patamar atual no próximo Copom.
A principal explicação para a decisão da semana passada foi o fato de o índice oficial de preços (IPCA) ter ficado em 5,91% em 2013, acima do verificado no ano anterior (5,84%). "O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos 12 meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava", disse o BC em um dos principais trechos do documento.
A instituição também informou que suas projeções para o IPCA de 2014 subiram em relação ao calculado na reunião passada, em novembro. Embora não divulgue o número, o BC afirmou que as estimativas permanecem acima da meta de 4,5% fixada pelo governo. A última projeção divulgada pelo Copom, de dezembro, estava em 5,6%. Um dos motivos para essa piora é a taxa de câmbio usada na previsão, de R$ 2,40, acima dos R$ 2,30 utilizados em novembro. Para o BC, ainda há "focos de tensão e de volatilidade nos mercados de moeda", fonte de pressão inflacionária que precisa ser limitada pela política monetária, que permanecerá "vigilante".
Segundo levantamento realizado pelo serviço AE Projeções logo depois da divulgação da ata, de um total de 24 instituições do mercado financeiro consultadas, a maioria (14) espera um último aumento em fevereiro, com a taxa atingindo 10,75% ao ano. Outra parte, composta por nove instituições, acredita que o Copom deverá encerrar o processo de aperto monetário em abril, com o juro básico indo a 11% ao ano. Apenas uma instituição espera que a taxa suba também em maio, para 11,25% ao ano. O Itaú-Unibanco, por exemplo, espera juros de 10,75% ao ano em fevereiro e não descarta altas adicionais nos meses seguintes, o que vai depender do comportamento dos preços.
Embora tenha endurecido o discurso em relação à inflação, o BC reafirmou no documento que a transmissão dos efeitos da alta dos juros para a inflação "ocorre com defasagens". Essa frase é interpretada pela maioria dos analistas como sinal de que a instituição deve encerrar o processo de elevação da Selic nos próximos meses. Desde abril do ano passado, quando os juros estavam em 7,25% ao ano, já foram anunciados sete altas da taxa básica, mas a inflação não caiu.

Imagem ilustrativa da imagem BC vê índice mais persistente que o esperado
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