Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, afirmou ontem que vai intervir no câmbio sempre que houver ameaça de uma disparada da inflação. O aviso de Fraga veio minutos antes do BC voltar a vender dólares ao mercado para forçar a queda da cotação da moeda americana. ‘‘Se houver deficiência, temos condições de suprir’’, disse.
Desde o final do mês passado o BC tem impedido uma alta mais forte da taxa de câmbio no mercado. ‘‘O Banco Central tem visão de que este final de ano é atípico’’, afirmou. Ele lembrou que questões climáticas têm pressionado a inflação, principalmente os produtos agrícolas, mas admitiu que o câmbio também contribuiu para a alta dos índices de preços. ‘‘A pressão no câmbio já se reverteu, foi uma coisa temporária’’, argumentou Fraga, após um almoço com o prefeito do Rio de Janeiro, Luiz Paulo Conde.
Segundo o presidente do BC, os produtos que foram mais prejudicados pelo frio tendem a baixar de preço quando a temperatura esquentar. ‘‘Eu sou carioca e em novembro nunca procurei um cobertor’’, brincou. ‘‘Isso é algo que não vai se perpertuar’’.
Embora tenha demonstrado que o BC será firme na hora de conter a alta do dólar, o presidente não quis comentar uma possível elevação dos juros para conter a escalada da inflação. Na quarta-feira, os rumores de uma reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom) fizeram estragos no mercado financeiro e obrigaram a autoridade monetária a intervir no câmbio. Sobre a questão, ele se limitou a afirmar apenas que o ‘‘Banco Central fala através da mesa de operações e do Copom (Comitê de Política Monetária).’’
O presidente do Banco Central considerou ‘‘estranho’’ o resultado da pesquisa da revista ‘‘The Economist’’, que apontou o Brasil como o quinto país de maior risco no mundo. Armínio Fraga disse não entender como a pesquisa chegou a essa conclusão e informou que o governo está analisando os critérios usados pela revista para classificar o Brasil. ‘‘Quero entender para poder explicar que não é bem assim’’, declarou. ‘‘Quem conhece o Brasil sabe que as coisas vêm evoluindo favoravelmente e o risco vem diminuindo.’’ Na lista de 93 países, o Brasil ficou atrás apenas da Rússia, Indonésia, Paquistão e Romênia.

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