O presidente do Banco Central (BC), Gustavo Franco, garantiu ontem que a instituição vai recorrer na Justiça contra a liminar que impediu o HSBC de continuar a selecionar os créditos do Bamerindus a seu favor. A liminar beneficia os acionistas minoritários do Bamerindus, que poderão participar da escolha dos ativos. Até ontem no início da noite, o BC não tinha sido notificado da decisão da juíza da 14ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, Leila Paiva. Os acionistas preparam um recurso para derrubar a ação do BC.
O BC tem cinco dias, após a notificação, para recorrer. O pedido de anulação deve ser ajuizado no Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo. A Associação dos Investidores Minoritários do Grupo Bamerindus preferiu não esperar uma reação por parte do Banco Central. Ontem mesmo, o escritório de advocacia que defende os investidores começou a preparar um contra-ataque ao BC.
A liminar concedida em primeira instância foi recebida como uma vitória pelos pequenos acionistas. São 50 mil pessoas que perderam o patrimônio estimado em R$ 386 milhões no dia 28 de março, quando o governo determinou a intervenção no Bamerindus. Com a venda do banco para o HSBC, os acionistas minoritários ficaram sem resposta. ‘‘Só agora estamos tendo acesso ao contrato de venda do Bamerindus’’, reclamou James Marins, advogado dos acionistas.
O senador José Eduardo Andrade Vieira (PTB), acionista majoritário do Bamerindus antes da intervenção, também relembrou a maneira como foi feita a negociação entre BC e HSBC. ‘‘Agora começa a ficar claro para os acionistas as falhas da negociação. Estavam passando os imóveis todos depreciados para o HSBC’’. José Eduardo voltou a enfatizar que o Bamerindus foi dado ‘‘de graça’’ ao HSBC.

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