BC vai fazer sindicância interna
O Banco Central promoverá uma sindicância interna e interpelará judicialmente o dono do Marka, Salvatore Cacciola, para apurar se houve tráfico de informações com o banco. A investigação visa checar reportagem veiculada na revista Veja desta semana, segundo a qual Cacciola disse a interlocutores que um funcionário do BC era pago para fornecer informação privilegiada ao Marka e a outros três bancos.
Segundo a denúncia, o Marka depositava R$ 125 mil mensais na conta de uma empresa sediada em um paraíso fiscal no exterior em troca de informações. Outros três bancos, cujos nomes não foram revelados, depositariam igual quantia, somando uma caixinha de R$ 500 mil.
O BC anunciou que está ingressando com uma ação na Justiça para notificar Cacciola, que terá de confirmar ou negar que tenha confidenciado o tráfico de informações a esses quatro interlocutores. Caso a resposta seja positiva, a interpelação do BC pretende ainda que Cacciola indique o nome do funcionário do BC envolvido no esquema, dos outros bancos que participavam da caixinha e da empresa em cuja conta eram feitos os depósitos.
O presidente do BC, Armínio Fraga, também determinou a instauração de uma comissão interna de sindicância para apurar se algum funcionário da instituição realmente forneceu informações privilegiada a bancos. Ontem mesmo a comissão de sindicância foi nomeada. Será presidida por Flávio Maia Fernandes dos Santos, procurador do BC.
Para dar maior credibilidade aos seus trabalhos, Fraga enviou ofício ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, pedindo a indicação de um procurador para que haja um acompanhamento externo dos trabalhos de apuração da denúncia.
A reação de Fraga faz parte da estratégia do governo de se antecipar à apuração das denúncias, evitando maior repercussão na CPI do Senado sobre os bancos. Há quase duas semanas o BC trabalha em um relatório em que pretende responder às principais dúvidas dos senadores da CPI. Esse documento deveria ter ficado pronto na semana passada.





