Oswaldo PetrinBC vai controlar ‘63’
-A gritante diferença entre taxas de juros que se pratica no exterior e as do mercado interno faz o Banco Central prever grande afluxo de recursos através da Resolução 63, que permite a captação no mercado financeiro externo. O Banco Central prepara normas rígidas para ter o controle das operações e entrada de recursos para aplicar (preferencialmente) na agricultura, via ‘‘63 Caipira’’. Duas vezes por mês os bancos poderão ser obrigados a informar ao BC quanto captaram a partir destas operações e detalhar a aplicação dos recursos.
-Assim, nos dias 15 e último dia de cada mês, os bancos deverão colocar no Sisbacen (sistema de comunicação do BC com todo o mercado) os dados exigidos. Mais precisamente, o volume captado no período e quanto destes recursos foi aplicado em cada alternativa prevista para as operações da 63 Caipira.
-A medida consta de circular que o diretor de Normas do BC, Sérgio Darcy, submeterá à diretoria do banco na próxima quarta-feira. Ele lembrou que as informações estarão disponíveis para o Banco Central on line. Atualmente os dados da 63 Caipira estão espalhados por três departamentos diferentes do BC, o que impede o controle mais rígido. (Informação transmitida pela AE, Soraya de Alencar).
-A medida do BC não acontece por acaso. Ocorre o seguinte: depois de detectar que os bancos estavam destinando o dinheiro da 63 Caipira para aplicações em títulos públicos cambiais, o governo decidiu restringir as normas destas operações. Isso porque, originalmente, a 63 Caipira foi criada para financiamentos ao setor rural. Em março passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) impôs o limite de 50% para aplicação nos títulos cambiais. Uma forma de obrigar o direcionamento dos outros 50% ao setor agrícola. Esta semana, o CMN decidiu ampliar o leque das aplicações no setor agrícola, abrindo a possibilidade dos agropecuaristas fazerem seguro de suas produções no mercado de derivativos. Ou seja, eles podem fechar contratos de compra ou venda nas bolsas de mercadoria e de futuros garantindo os preços dos produtos.
-O BC prevê que as operações de seguro (hedge) ficarão em torno de R$ 50 milhões. Mas prevê que a produção segurada deverá ficar em torno de R$ 500 milhões. Além do hedge agrícola, os recursos da 63 Caipira podem ser usados no setor rural para investimentos, em operações de crédito de custeio e comercialização e, também, em empréstimos para a agroindústria. Neste caso, os recursos podem ser usados tanto para a compra de produtos em cooperativas, como para a aquisição de fertilizantes e defensivos agrícolas.
-Bem, este leque de aplicações será detalhado através de instruções que o BC emitirá aos bancos na próxima semana. Ainda na primeira quinzena de junho as agências do Banco do Brasil deverão receber normas de aplicação. Estão previstos seminários para interpretar as operações.Juros
A taxa média praticada pelos bancos nos empréstimos pelas linhas de capital de giro ficou em 33,5% ao ano. Para a antecipação de recursos por meio do desconto de duplicatas, os bancos cobraram em média 2,38% ao mês.
Hot money
Empréstimos de curtíssimo prazo pelo ‘hot money’ têm juro de 3,8% ao mês, em média. As taxas apresentam variações de acordo com o prazo do financiamento. Os juros, no Brasil, não recuam. Apenas oscilam. (M. H. Simonsen)
Mologni
Por falar em juros altos, o professor Ismael Mologni escreve artigo em que afirma que o risco de pacote ainda não passou. Único empecilho é a variável política. Até a data das eleições, talvez nada ocorra.
Câmbio
Motivos, porém, não faltam. Segundo Mologni, a valorização cambial de 34% continua sendo a principal razão da turbulência dos juros altos e do desemprego no País.
Pacote
Um pacote fiscal, no prognóstico de Mologni, viria com mais impostos e redução do crédito de investimento, seguindo o receituário do FMI. O professor também comenta a taxa de crescimento. Artigo será publicado na segunda-feira.

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