O programa de socorro de US$ 15 bilhões fechado pelo governo brasileiro com o FMI dará ao Banco Central, na prática, apenas US$ 5 bilhões adicionais para gastar em suas intervenções na tentativa de conter a alta do dólar. O que estabelece limite ao uso de recursos do empréstimo do FMI é uma cláusula do acordo conhecida como ‘‘piso das reservas líquidas do Banco Central’’, que exclui os empréstimos emergenciais do Fundo.
Na versão anterior do acordo, o piso das reservas líquidas estava fixado em US$ 25 bilhões. Pelos novos entendimentos, o piso cairá para US$ 20 bilhões no mês que vem. Isso significa que o BC terá mais US$ 5 bilhões para intervir no mercado de câmbio.
Pelas projeções do presidente do BC, Armínio Fraga, o País terminará o ano com reservas líquidas de US$ 28 bilhões. Isso significa que o poder de fogo do BC para atuar no mercado de câmbio neste semestre é de US$ 8 bilhões.
Desse total, o BC já tinha US$ 3 bilhões disponíveis de suas próprias reservas. O ganho adicional de US$ 5 bilhões veio da redução do piso das reservas.
É uma quantia razoável, mas, no passado recente, números semelhantes se mostraram insuficientes para controlar o nervosismo no mercado de dólar. Em julho, por exemplo, o BC anunciou que o País gastaria US$ 6 bilhões até o fim do ano, mas a cotação do dólar não parou de subir.
Fraga disse ontem considerar a quantia suficiente para cobrir as necessidades de recursos atualmente projetadas. Segundo ele, caso haja necessidade de mais recursos, o país poderá voltar a conversar com o FMI para negociar um piso de reservas ainda menor que os US$ 20 bilhões.
O dinheiro novo do FMI começa a ficar disponível ao País a partir de 14 de setembro, data prevista para a aprovação do acordo pela diretoria da instituição. Na primeira parcela, o País poderá sacar US$ 4,6 bilhões. O restante dos US$ 15 bilhões poderá ser sacado aos poucos, de acordo com o cumprimento das metas trimestrais. (AF)

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