BC terá que manter a intensidade do aperto monetário
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quinta-feira, 13 de maio de 2010
Ricardo Leopoldo<br>Agência Estado 
São Paulo - O corte de R$ 10 bilhões no Orçamento anunciado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, não será suficiente para reduzir o aquecimento da demanda agregada e não vai levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a diminuir a intensidade do aperto monetário para este ano, ponderam especialistas. ''Com esta decisão, na melhor das hipóteses o superávit primário deve atingir 2,4% do PIB neste ano'', comentou o consultor Raul Velloso.
Segundo ele, a redução de despesas oficiais não deve ser maior por causa de alguns fatores, sobretudo as despesas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e dispêndios na área social. ''Tal redução de gastos deve levar o superávit primário de 2,4% para 2,6% do PIB em 2010'', comentou Felipe Salto, economista da Tendências.
Segundo ele, para que o governo atinja a meta de 3,3% do PIB daquele indicador, será necessário descontar pelo menos mais 0,7 ponto porcentual do PIB com os investimentos relativos ao PAC. O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, mostra-se cético sobre a capacidade de o governo reduzir as despesas em R$ 10 bilhões neste ano.
Para ele, é difícil imaginar que no segundo semestre, quando ocorrem eleições, os cortes federais passarão a vigorar, sobretudo porque a pré-candidata do Planalto, Dilma Rousseff, enfrenta dificuldades para avançar sua popularidade. ''E mesmo que o corte do Orçamento funcione, já vem atrasado, pois deveria ter sido feito há vários meses para conter o vigor do consumo'', ponderou.
Segundo o economista do JP Morgan, Júlio Callegari, a diminuição de R$ 10 bilhões dos gastos públicos representa ''uma magnitude relativamente modesta'', que, na melhor das hipóteses, pode elevar o superávit primário de 2,4% para 2,6% do PIB, avaliação semelhante à de Felipe Salto.


