Brasília - O Banco Central (BC) perdeu R$ 16,89 bilhões em 2002 com as operações de ''swap cambial', o que equivale à diferença entre a valorização do dólar e a alta dos juros no ano, acrescida de uma taxa de remuneração.
O ''swap' é uma operação realizada para liquidação em data futura que implica na ''troca' de resultados financeiros entre duas partes durante um determinado período. No caso do ''swap cambial', no fim do prazo do contrato, o BC recebe a variação da taxa de juros DI no mercado futuro durante o período em que vigorou o contrato e pagará ao investidor a variação do dólar ocorrida no mesmo período, além de uma taxa de remuneração com base anual.
Como a variação do dólar normalmente é superior a dos juros - em 2002, enquanto os juros passaram aproximadamente de 19% ao ano para 25% (seis pontos, ou 31% de variação na taxa), o dólar subiu 53,2% - o BC acaba devedor para o mercado. A operação, entretanto, ajuda a autoridade monetária a financiar a dívida.
Além disso, o ''swap' serve de hedge (proteção) cambial para as empresas e diminui o apetite do mercado por dólares. Por isso, o BC precisou aumentar o volume desses contratos no mercado para conter a demanda pela moeda norte-americana no auge da crise financeira do ano passado.
O mês em que o ajuste foi mais elevado, desfavoravelmente ao BC, foi setembro, quando a diferença a ser paga pelo BC chegou a R$ 12,29 bilhões. O mês, que antecedeu a eleição presidencial também foi o de maior valorização do dólar no ano: 25%.

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