Agência Folha
De Brasília
O Banco Central terá uma margem adicional de US$ 2 bilhões para suas intervenções no mercado de dólar até o final do ano, segundo a quarta revisão do acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) negociada pelo governo. A versão anterior estabelecia um piso mensal para as chamadas reservas internacionais líquidas do BC, que não incluem os recursos emprestados pelo Fundo até agora.
No final de dezembro, por exemplo, o piso, que antes era de US$ 22,2 bilhões, vai passar para US$ 20,3 bilhões. O piso menor significa que o BC terá mais liberdade para usar dólares de sua reservas para abastecer o mercado de câmbio e, assim, atenuar a pressão sobre a cotação da moeda norte-americana.
Graças aos novos entendimentos com o FMI, teoricamente o dinheiro disponível para intervenções no último bimestre sobe de US$ 1,232 bilhão para US$ 3,232 bilhões.
Essa folga é apenas teórica porque há um sistema de limite móvel. O que conta é sempre o piso das reservas mensais. Se o BC usar mais dólares em um mês, sobram menos recursos para o mês seguinte. Em novembro, por exemplo, há uma margem teórica de US$ 4,183 bilhões. Mas, se o BC usá-la integralmente, terá dificuldade para cumprir o limite do bimestre, que é menor – de apenas US$ 3,232 bilhões.
O limite teórico mensal volta a se alargar do período de novembro a janeiro e fevereiro, quando supera os US$ 4,5 bilhões. Mas há uma nova camisa-de-força em março, pois o limite entre novembro e março é de US$ 2,407 bilhões.
Os novos limites levam em consideração a nova captação em euros e a intervenção no mercado de anteontem. Também já está considerado nas projeções o ingresso de US$ 1 bilhão em novembro proveniente de empréstimo total de US$ 2,2 bilhões do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) aprovado ontem pelo Senado Federal. O restante entra no próximo ano.
O afrouxamento das regras já recebeu o apoio do diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, e aguarda apenas confirmação na reunião de diretoria prevista para 29 de novembro próximo. A negociação técnica foi concluída no último final de semana com a missão do FMI que estava no Brasil.
Segundo o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, o governo pediu ao FMI um limite adicional de intervenções para dois tipos de situação: alta volatilidade no mercado de câmbio e falta de moeda estrangeira para financiar o balanço de pagamentos (o saldo das transações do Brasil com o resto do mundo).
A primeira das situações ocorreu ontem, quando o BC vendeu moeda norte-americana. Segundo o presidente do BC, Armínio Fraga, o nervosismo do mercado ficou expresso com a grande diferença entre os preços de compra e de venda do dólar. ‘‘O balanço de pagamentos poderá ter alguma pressão até o final do ano’’, afirmou Figueiredo.
Essa é a primeira vez, desde abril passado, que o governo admite a possibilidade de pressão no balanço de pagamentos. O mercado projeta que, até o final do ano, vai haver maior saída de dólares do que entrada, por dois motivos: os vencimentos privados em dezembro são mais pesados e os investidores estarão mais retraídos às vésperas do bug do milênio (risco de pane dos computadores na virada do ano).
Figueiredo não quis dizer qual é a projeção do BC para a deficiência no mercado de câmbio, mas afirmou que o dinheiro disponível nas reservas é suficiente para cobrir até a mais pessimista projeção de analistas do mercado financeiro.Renegociação com FMI reduz em US$ 2 bilhões o piso de reservas internacionais e reforça poder de fogo do governo para intervir no mercado
Lindauro Gomes/Agência Estado‘BOA NOTÍCIA’Armínio Fraga e o diretor de Política Econômica, Luiz Fernando Figueiredo, anunciam a redução do piso

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