BC surpreende e reduz juro a 18,5%
Agência Folha
De Brasília
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, decidiu ontem reduzir a taxa de juros básica da economia de 19% ao ano para 18,5% ao ano. A taxa anterior estava vigorando desde setembro do ano passado. O mercado financeiro apostava em uma queda menor, de 0,25 ponto percentual.
A agência Folha apurou que a equipe econômica trabalha com a possibilidade de os juros básicos caírem mais dois ou três pontos percentuais até o final do ano. Com isso, a taxa anual pode fechar próxima de 16% em dezembro. No acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), o governo prevê juros médios de 16% neste ano.
A taxa básica corrige mais de 60% da dívida do governo federal no mercado financeiro e é uma referência para o custo do dinheiro no sistema financeiro. De acordo com o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, o BC estava esperando apenas o resultado da reunião da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para reduzir a taxa.
A tendência (viés) continua sendo de queda até a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em 18 e 19 de abril. Segundo o diretor, há sinais de que a produção de petróleo vai aumentar em 1,7 milhão de barris anuais, o que deve reduzir os preços. Hoje mesmo os preços no mercado futuro caíram mais de 2%, informou. O diretor evitou vincular a decisão de reduzir os juros à negociação do governo em torno do reajuste do salário mínimo. Nós estávamos esperando a reunião da Opep, disse.
Figueiredo fez questão de responder às críticas sobre a decisão de manter os juros em 19% ao ano, que havia sido tomada pelo Copom na semana passada: É nossa responsabilidade alcançar a meta de inflação do ano. Para este ano, a meta é atingir uma inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) entre 4% e 8%. Quando a taxa de juros é alta, a inflação tem menos espaço para subir porque a atividade econômica cai.
O Copom parou de reduzir a taxa básica depois que as cotações do dólar começaram a subir no final do ano passado. As incertezas quanto ao preço internacional do petróleo acabaram prolongando a taxa de 19%. O diretor lembrou que o esforço fiscal do governo em 99 e as medidas tomadas pelo BC no sentido de reduzir os juros para o consumidor final conseguiram reduzir as taxas em percentuais maiores que a variação da taxa básica.
A taxa de juros paga pelo consumidor pessoa física, segundo ele, caiu de 103% ao ano em outubro de 99 para 85,6% ao ano em fevereiro deste ano. Para as empresas, a queda foi de 54,8% ao ano para 49,2% ao ano. Já as taxas de juros negociadas pelo mercado financeiro para pagamento em um ano caíram de 27% ao ano em outubro de 99 para 17,7% ao ano neste mês de março. Isso está apoiado na credibilidade fiscal que o país vem trabalhando, comentou.
Outro indicador importante da confiança do mercado na redução dos juros está no aumento do prazo dos títulos emitidos pelo governo. Em fevereiro de 99, segundo Figueiredo, a média dos prazos era de 8 meses. Para abril, é esperada uma média de 21 a 22. A queda das taxas reduz o custo da dívida pública. De acordo com informações de janeiro, uma queda de 0,5 ponto percentual da taxa, como aconteceu ontem, economiza R$ 1,4 bilhão ao ano no pagamento de juros.





