BC sinaliza menor esforço para segurar inflação em 2016
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Eduardo Cucolo<br>Folhapress 
Brasília - Depois de passar algumas semanas sinalizando uma ação mais dura no combate à inflação em 2016, o Banco Central dá sinais de que fará um esforço menor para segurar a alta de preços no próximo ano. Durante audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado) ontem, o presidente do BC, Alexandre Tombini, mandou um novo recado ao mercado. Disse que o BC adotará as medidas necessárias para restringir "a inflação aos limites de tolerância estabelecidos pelo CMN" (Conselho Monetária Nacional), que é de 6,5%.
Até a semana passada, o discurso da instituição era de que o BC agiria "de modo a trazer a inflação o mais próximo possível do centro da meta", de 4,5%, no próximo ano. Em relação a 2017, Tombini manteve a promessa de chegar aos 4,5% de inflação. Para este ano, o presidente do BC afirmou que os dados apontam uma inflação de 10,5%. As projeções de mercado, segundo a pesquisa Focus do BC, são de um IPCA de 10,6% em 2015 e 6,8% em 2016.
Tombini foi questionado por parlamentares da base do governo e da oposição sobre a decisão do BC de manter os juros em 14,25% ao ano diante da estagnação econômica. Afirmou que a alta dos juros não tem como objetivo compensar o aumento do dólar e de tarifas, mas reduzir os repasses desses aumentos de custos para os demais preços da economia.
O presidente do BC disse ainda que os juros de mercado têm subido por conta de outros fatores, com as incertezas econômicas, e estão próximos de 18% ao ano. "A nossa política monetária está sendo adotada para evitar que se propague a inflação de curto prazo. Tivemos bastante sucesso até agosto", afirmou. Após aquele mês, segundo Tombini, as projeções de inflação do mercado para 2016, 2017 e 2018 subiram. Sobre os custos do ajuste nas políticas fiscal e monetária, afirmou que há um descasamento temporal entre as medidas e seus efeitos, o que "faz com que os custos sejam percebidos pela sociedade antes dos seus benefícios, levando a certo questionamento" sobre a necessidade dessas medidas.
"Essa percepção inicial adversa pode levar ao bloqueio, ainda que parcial, das propostas de ajuste", afirmou. "Esse atraso poderia comprometer fundamentos ainda sólidos da economia brasileira."
Em seu discurso no Senado, Tombini reafirmou ser difícil prever a reação do mercado ao início do processo de aumento nos juros nos EUA, esperado para hoje. "O início do processo de normalização das condições monetárias nos Estados Unidos, que pode ocorrer na reunião de amanhã (hoje) do FED, tem levado ao fortalecimento do dólar norte-americano", afirmou.
O presidente do BC avaliou, porém, que a depreciação de quase 40% na taxa de câmbio neste ano está entre os fatores que ajudaram a preparar o Brasil para a provável alta de juros nos EUA. "Por mais que esse processo esteja sendo preparado, são nove anos sem aumento das taxas de juros. O que conta nessas horas é como os mercados irão reagir", afirmou.


