BC sinaliza interrupção na alta da taxa de juros
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
Sheila D'Amorim<br>Agência Estado 
Brasília - O Banco Central (BC) baixou o tom de suas preocupações com a resistência da inflação e começou a preparar o terreno para interromper o processo de alta nos juros. Mesmo assim, a taxa Selic ainda deverá subir um pouco e permanecer alta por um longo período de tempo, para garantir que a inflação ficará próxima da meta fixada para este ano, que é de 5,1%. Essa é a principal mensagem da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem. O texto foi considerado ''bonzinho'' pelos analistas de mercado, em contraste com os meses anteriores, em que foi classificado como ''malvado''.
A transição de uma ata ''malvada'' para uma ''boazinha'' foi motivo de muita apreensão no BC antes de divulgar o documento. Os diretores precisavam desarmar o estado de alerta que tomou conta do mercado financeiro depois do cenário negro traçado nas reuniões anteriores do Copom, mas não queriam gerar um clima excessivamente otimista. O texto divulgado, segundo fontes ligadas ao assunto, foi exaustivamente debatido na cúpula da instituição para tentar pontuar muito bem como a autoridade monetária está vendo o ritmo de convergência da inflação para a trajetória desejada.
No caso específico da ata de janeiro, quando o BC elevou o tom das suas preocupações com o nível de preços e enterrou a possibilidade de os juros caírem no primeiro semestre, houve ainda um componente político. As críticas à atuação do BC somaram-se a boatos de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria ficado irritado com o presidente do BC, Henrique Meirelles, por causa da decisão. Aquele momento, de acordo com interlocutores do governo, requeria um posicionamento ''mais duro'' da autoridade monetária em relação às suas decisões, numa espécie de auto-afirmação.
Esse episódio já é tido como ''superado''. E o foco da ata deste mês ficou com a convergência dos preços para o nível desejado pelo governo. O IPCA ainda é considerado elevado, apesar do ligeiro recuo verificado no mês passado. O modelo utilizado pelo BC mostrou, inclusive, que mesmo após o aumento de 0,5 ponto porcentual na taxa de juros anunciado em janeiro e a valorização do real frente ao dólar, a inflação projetada para o ano não recuou e ''permaneceu estável, com pequena queda na margem''. Isso só reforçou a necessidade de uma nova alta dos juros e também fez com que o Copom discutisse a idéia de promover até uma alta maior.
Agora, acreditam os diretores, o risco de interrupção de queda da inflação foi reduzido e, assim, o ajuste nos juros pode retomar o ''ritmo originalmente previsto''. Com o aumento promovido este mês, os juros já se aproximam do nível que, na avaliação do Copom, fará com que a inflação convirja para a meta de 5,1% estabelecida para este ano.


