BC revisa projeção de queda da economia de 1,1% para 2,7%
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
O Banco Central (BC) espera maior retração da economia este ano. A projeção para a queda do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos, passou de 1,1%, divulgada em junho, para 2,7%, segundo o Relatório de Inflação divulgado ontem. Na última segunda-feira, o Boletim Focus já tinha apontado para uma retração de 2,7% do PIB neste ano.
De acordo com o BC, a produção agropecuária deverá crescer 2,6% (estimativa anterior era 1,9%). Já a produção da indústria deve ter queda de 5,6%, contra a previsão anterior de retração de 3%. O setor de serviços teve ter queda de 1,6%, contra a estimativa anterior de 0,8%. O consumo das famílias deve cair 2,4%, contra a retração de 0,5% prevista em junho. Os investimentos - Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) devem apresentar queda de 12,3%, contra 7% previstos em junho.
Para o período de 12 meses encerrados em junho de 2016, a estimativa de queda do PIB é 2,2%. Para o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, a projeção de queda de 2,7% no PIB tem muito contágio da questão política. Ele lembrou que a maior queda do PIB registrada na história recente do Brasil foi em 1990 durante o governo Collor, quando a economia teve retração de 4%. Suzuki disse que já há apostas que vislumbram uma década perdida (2011 a 2020) para a economia brasileira.
"O resultado do PIB de 2015 começou a ser plantado em 2011. O governo foi leniente na política monetária e de juros", disse. Ele comentou ainda que houve um exagero na concessão de crédito para as empresas e também de crédito pessoal, o que gerou um endividamento grande das famílias. Além disso, o gasto público tem sido excessivamente alto, de acordo com Suzuki. "Agora estamos colhendo os frutos dos equívocos da política econômica", afirmou.
Ele explicou que a agropecuária deve ter resultado positivo neste ano porque é um setor muito competitivo e tem capacidade de resposta pela via do mercado externo. Suzuki disse que a indústria deve ter um peso grande na queda do PIB neste ano, mas ressaltou que comércio e serviços também terão uma parcela significativa de participação. Destacou ainda que com a redução de 12,3% prevista para os investimentos, não se cria uma condição de crescimento futuro equilibrado para o País.
No ano passado, o economia brasileira cresceu 0,1% e a do Paraná 0,8%. Para 2015, ele estima que o PIB do Estado feche em queda, mas menos acentuada que a média nacional.
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, disse que com o crescimento do desemprego, a demanda tende a se retrair no País. Segundo ele, os principais motivos que provocaram isso foram a inflação, o aumento das tarifas públicas, dos impostos e as restrições ao crédito. "Tudo isso tira a capacidade de consumo das famílias", disse. Ele prevê que, apenas no segundo semestre de 2016, inicie um processo de recuperação da economia. Neste ano, ele acredita que a indústria tenha uma boa parcela de participação na queda do PIB. Segundo ele, o resultado da economia do Estado deve ser um pouco melhor que a média nacional em função do desempenho da agropecuária.
Para o professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, ao prever queda de 2,7%, o Banco Central está admitindo que caminha na mesma direção das projeções do mercado. Ele acredita que a situação seja ainda mais grave e que o recuo no PIB chegue a 3%. "As expectativas estão deteriorando muito rápido", disse.
Ele comentou que a incerteza forte na economia e a incapacidade do governo de implantar o ajuste fiscal também têm contribuído para as previsões negativas do PIB. "A agropecuária que deve salvar alguma coisa nesse ano. Este segmento depende menos do cenário doméstico e mais do mercado externo. Neste ano, deve ocorrer queda em serviços que é o principal setor da economia", destacou. (Com agências)


