BC revê previsão de déficit
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domingo, 07 de setembro de 2003
Agência Estado 
Basiléia, Suíça- O Banco Central está revendo para baixo a previsão do déficit na balança de pagamentos para 2003. A informação é do presidente do BC, Henrique Meirelles, que garante que os investimentos externos estão aumentando e a previsão do déficit de balança de pagamentos ficará abaixo dos US$ 4 bilhões, projetados até agora pelo governo. ''O Brasil deixou de ser motivo de preocupação para a economia mundial e passou a ser uma história de sucesso'', afirmou Meirelles.
Ele participa hoje na Basiléia da reunião do Banco Internacional de Compensações (BIS), juntamente com outros países emergentes e representantes dos países desenvolvidos.
Segundo Meirelles, as informações sobre a nova previsão estarão no próximo relatório do Banco Central, que avaliará a projeção da balança de pagamentos e que até julho apresentava um superávit de US$ 2,6 bilhões. ''As condições para o crescimento já estão dadas. O País já está retomando o crescimento e vai continuar em 2004, na medida que a economia está estabilizada'', afirmou.
Sobre a entrada de investimentos, o presidente do BC aponta que os números de julho já foram ''muito bons''. ''Os investimentos já estão voltando, de forma generalizada'', afirmou.
Para ele, ''não há dúvidas de que o Brasil enfrentou uma crise de grandes proporções no ano passado. Perdemos US$ 30 bilhões em linhas externas em pouco mais de um ano. Agora, estamos construindo uma base para o crescimento sustentável, sem arrancadas e freadas''.
Durante a reunião com os xerifes da economia mundial, Meirelles foi o único representante dos países emergentes e contou que recebeu manifestações de apoio. O motivo do suposto sucesso teria sido a ''conjugação de boas notícias'', entre elas a inflação, o superávit primário, ''que deixou de ser promessa e passou a ser realidade'', a política cambial que supostamente evitou desequilíbrios e o melhor perfil da dívida pública.
Lembra que outros países que passaram por crises semelhantes, como Argentina e Tailândia, tiveram uma contração em suas economias. ''O Brasil continuou crescendo, o que mostra a capacidade da economia nacional'', afirmou.
Meirelles também destacou a ''coragem'' do governo em enfrentar o ''debate e os desgastes'' das reformas no primeiro ano de mandato. ''O governo mostrou força política na aprovação das reformas. Foi decisão sábia'', afirmou.
Sobre a taxa de juros, Meirelles disse não ter dúvida de que o País conseguirá chegar a um ''equilíbrio''. Segundo ele, isso manteria a inflação estável. ''Como baixar (a taxa de juros), é uma questão que está relacionada com o risco-país'', acrescentou o presidente do BC.


