BC reduz projeção do crescimento do PIB neste ano para 2,7%
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quinta-feira, 27 de junho de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O Banco Central (BC) reduziu a projeção de crescimento da economia, este ano, de 3,1% para 2,7%. A estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no País, foi divulgada ontem pelo BC. Também foi apresentada a projeção para o crescimento do PIB em quatro trimestres encerrados em março de 2014. A estimativa de expansão é de 3%, nesse período.
De acordo com os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calcula o PIB, a economia brasileira cresceu 0,6% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao último trimestre de 2012. Na comparação com o primeiro trimestre de 2012, o PIB brasileiro teve crescimento de 1,9%. No acumulado dos 12 meses, a economia apresentou um crescimento de 1,2%.
A projeção de instituições financeiras, consultadas todas as semanas pelo BC, para a expansão da economia é menor que a da autoridade monetária, para este ano. A última projeção, após seis quedas seguidas, ficou em 2,46%. Para 2014, a estimativa é de 3,1%.
O economista-chefe da Inva Capital e coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, disse que a projeção do BC para o PIB deste ano é otimista. Ele acredita em crescimento de 2,4%. Explicou que, para combater o processo inflacionário, o governo vai ter que promover uma alta de juros maior que o esperado. A previsão dele é que a taxa Selic chegue ao final de 2013 entre 9% e 9,25%.
Segundo ele, o aumento dos juros deve reduzir o consumo e, atualmente, 62% do PIB vem do consumo das famílias. Dezordi observa que é difícil haver melhora da previsão do índice para este ano. Com este comportamento do PIB, a estimativa dele é que ocorra estagnação do emprego ou mesmo aumento do índice de desemprego nos próximos dois meses.
Ele acredita em desaceleração no setor de serviços neste ano e queda no consumo das famílias e nos gastos do governo. Um dos segmentos que deve ter desempenho positivo é a agricultura e o agronegócio por conta da safra maior prevista para este ano.
O assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, disse que a safra deve ser recorde se as chuvas não afetarem a produção. ''O grande carro-chefe vai ser a soja'', destacou. Além disso, devem contribuir para o PIB as exportações de carne bovina e de frango.
Para o professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, o BC está tomando perspectivas mais realistas em relação ao PIB. Para ele, a expectativa de crescimento da economia do País é realmente abaixo de 3%.
''O Brasil começa a demonstrar o esgotamento de um modelo baseado em expansão de consumo, que chegou ao limite com o endividamento das famílias'', disse. Curado destacou que para atingir bons resultados no PIB, o Brasil precisaria ter crescimento muito forte no segundo semestre e, até agora, não há nada que aponte para isso. ''Não há como crescer sem aumento de investimento e de produtividade'', disse. Para ele, em 2014, a estimativa de crescimento do PIB é de 3,1%.
No relatório apresentado pelo BC ontem, também consta a previsão da inflação para 2013 em 6%, acima dos 5,84% registrado no ano passado. A autoridade monetária ainda passou a usar a cotação do dólar para este ano em R$ 2,10, sendo que no relatório anterior, divulgado em março, era de R$ 1,95.



