A previsão para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2013 começou o ano em 3,30%, mas o último Boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central (BC), já aponta para 2,49%. Houve redução mesmo na comparação com os 2,53% de uma semana atrás, o que preocupa economistas ouvidos pela FOLHA, principalmente pela expectativa de alta da taxa básica de juros, a Selic. Eles afirmam que o foco do governo federal passou a ser o combate à inflação, mas é preciso dosar para não prejudicar a competitividade do setor produtivo.
No primeiro trimestre deste ano, o PIB teve alta de 0,6%, o que mostra a necessidade de fomentar investimentos. Porém, a previsão para a inflação oficial, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 5,71% no início do ano para 5,83% pelo boletim mais recente, o que empurrou a projeção da da taxa básica de juros, a Selic, de 7,25% para 9% nos mesmos comparativos. E juros altos significam gastos menores com a produção.
O economista Luciano D'Agostini, integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), afirma que o BC precisa perceber que a inflação não é permanente. "Desde 2009 o mercado prevê 5,8% de inflação à frente em 12 meses", diz.
Da mesma forma, o professor de economia José Moraes Neto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), diz que o índice do IPCA de maio trouxe a inflação para dentro da meta, que vai de 2,5% para 6,5%. "Existem indicadores de que essa tendência vai se manter", conta. Ele acredita que exista pressão sob o governo de setores que lucram com a especulação financeira.
D'Agostini lembra que o consumo chegou a representar quase 40% do PIB, mas as famílias ficaram endividadas e deixaram de ir às compras. Em paralelo, diz que o setor produtivo não consegue competir no mercado internacional por falta de investimentos, que os gastos públicos são altos e mal direcionados e que a balança comercial está com saldo negativo. "O Brasil tem de se preocupar com a inflação e também com os níveis de emprego", diz, ao apontar o risco de aumento do desemprego e da estagnação econômica.

Consequências
Os economistas concordam que o governo usou medidas pontuais para manter o crescimento da economia, mas sem fazer um planejamento de longo prazo. D'Agostini acredita que apenas a promoção de reformas educacional, tributária e política mudaria o cenário, o que demoraria no mínimo mais quatro anos. Por isso, aponta para um futuro nebuloso. "Vamos ter de 0,5% negativo a 1,5% de PIB neste ano. Não chegará a 2%."
O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), é um pouco menos drástico. Ele diz que o Brasil criou um problema ao deixar de aplicar o bastante em infraestrutura, como fazem chineses, por exemplo, mas que há solução em um futuro próximo. "Não está fácil, mas ainda achamos que há espaço para o governo controlar a inflação rapidamente, para voltar a reduzir a Selic e elevar os investimentos", conta.
Moraes Neto crê em PIB um pouco acima do 0,9% de 2012, mas critica o fato de o governo levar a economia em "banho-maria". Ele engrossa o coro de críticas às políticas econômicas e vê a falta de uma política de juros mais consistente e câmbio mais próximo à realidade. "Isso tira a capacidade de planejamento empresarial e do próprio governo."

Imagem ilustrativa da imagem BC reduz projeção de PIB para menos de 2,5%
mockup