O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central fixou ontem em 28% ao ano a Taxa Básica do Banco Central (TBC), enquanto a Taxa de Assistência do Banco Central (TBAN) ficou em 38% anuais. A TBC estava até ontem em 34,5% e teve, portanto, uma redução de 6,5 pontos percentuais. A TBAN, que estava em 42%, foi reduzida em quatro pontos percentuais. As novas taxas vigoram até o dia 15 de abril, quando o Copom fará a terceira reunião do ano.
A decisão indica que o Copom optou ontem por uma queda mais acentuada da TBC e da TBAN, enquanto boa parte dos analistas de mercado apostava numa posição mais conservadora. Isso depois da divulgação do resultado das contas do setor público, no ano passado, quando o déficit fiscal primário chegou a 0,67% do Produto Interno Bruto (PIB), o correspondente a R$ 5,99 bilhões. A previsão destes analistas era que a TBC ficasse entre 30% e 31% ao ano.
Com a decisão o Copom alargou o intervalo entre a TBC e as taxas cobradas pelo Banco Central nos empréstimos de liquidez ao sistema bancário (TBAN) que, até ontem, era de 7,5 pontos percentuais. A partir de hoje, portanto, esse intervalo salta para 10 pontos percentuais.
Ao mesmo tempo, o Copom aumenta as taxas mínimas - ou básicas - dos juros interbancários, que são indicados pela TBC, e o teto dessas operações, que seguem a TBAN. Fica aberta ainda uma maior chance de ganho dos bancos que arbitram taxas, ou seja, tomam emprestado no BC para repassar ao setor. Eles podem tomar os recursos seguindo a TBC e cobrar pela TBAN.
Reflexos Além de aliviar o peso dos juros em toda a atividade econômica, a forte redução das taxas decidida pelo Copom pode contribuir para a diminuição do desemprego que chegou a 7,25% em janeiro, de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (leia na página 3).

mockup