O Banco Central reduziu ontem a taxa Selic de 34% para 32% ao ano. A redução foi anunciada no início da noite pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Ele assegurou que a decisão do BC de baixar os juros foi tomada considerando ‘‘as excelentes notícias no campo da inflação’’ e, ainda, ao sucesso da operação de captação de US$ 2 bilhões em bônus globais da República concluída na semana passada. ‘‘Todos os índices de inflação apontam para baixo’’, afirmou.
A partir de hoje, portanto, o BC abre as suas operações com o mercado já praticando o novo patamar de juros. A taxa anterior havia sido fixada na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no dia 14 passado. Com esta queda, no prazo de 34 dias, as taxas de juros sofreram quatro reduções, sendo que esta foi a terceira vez que Fraga recorreu à prerrogativa do viés. Ou seja, determinar a queda das taxas fora das reuniões do Copom.
Sobre os US$ 2 bilhões captados no exterior em bônus globais - a emissão total foi de US$ 3 bilhões, mas US$ 1 bilhão foi referente à troca de dívida -, o presidente do BC anunciou que os recursos estarão ingressando no País na sexta-feira e serão incorporados às reservas internacionais que fecharam a última terça-feira, dia 27, em US$ 42,74 bilhões.
Ele explicou, entretanto, que os recursos não poderão ser utilizados pelo BC para controlar eventuais volatilidades na cotação do dólar. Mesmo assim, segundo Fraga, não há motivos para preocupação. Isso apesar das repercussões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos bancos que, segundo analistas, teriam sido o motivo para a elevação da cotação da moeda norte-americana, que estava em US$ 1,69 e chegou a US$ 1,70. Pois dos US$ 8 bilhões acordados com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para serem usados na política monetária, ‘‘tanto em março como em abril houve sobra’’, afirmou.
Ainda segundo explicou Fraga, a redução dos juros não foi decidida considerando ou prevendo qualquer efeito da CPI no mercado. Ele disse que, como foram analisadas somente as condições de mercado, é impossível saber quais seriam estas condições caso a CPI não estivesse acontecendo.
O mercado teve um dia tranquilo ontem. O dólar fechou em baixa de 1,58% e voltou aos níveis em que estava antes do início da CPI do Sistema Financeiro. A moeda norte-americana encerrou o dia cotada em R$ 1,6820, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,7050 e a mínima de R$ 1,6800. Operadores explicam o motivo da queda do dólar: a CPI perdeu força de pressão e o mercado voltou a refletir o momento de recuperação dos indicadores da economia. As Bolsas também subiram. A Bovespa teve alta de 2,22% e a Bolsa do Rio, de 1,33%.

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