Brasília O Banco Central (B) recomprou todo o estoque de dólares vendidos ao mercado financeiro por meio dos leilões de linhas externas. A última operação foi realizada na segunda-feira, quando o BC não renovou os US$ 429 milhões que venciam naquela data. Ao atuar dessa forma, o BC reduz o volume de dólares disponível no mercado, o que pode contribuir para a alta da taxa de câmbio.
O mecanismo de leilão de linha externa - que é a venda de dólares ao mercado com data futura para a recompra - foi utilizado pelo Banco Central, pela primeira vez, em 17 de junho de 2002, com o objetivo de aumentar a oferta de dólares no mercado de câmbio e pressionar a queda na cotação da moeda americana, que estava em alta. Na época, a operação foi vista como uma forma de intervenção indireta no mercado de câmbio.
Desde o início, o governo adotou o critério de renovar as linhas, de forma a garantir a liquidez do mercado. No final de 2002, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, o estoque dessa operação somava US$ 1,776 bilhão. No novo governo, o BC chegou a renovar US$ 600 milhões em linhas externas em janeiro e outros US$ 500 milhões em fevereiro, quando o dólar ensaiou nova alta, em razão do início do ataque dos Estados Unidos e do Reino Unido ao Iraque.
Com a valorização do real, a estratégia passou a ser a liquidação de todos os vencimentos. Entre janeiro e março, US$ 1,248 bilhão foi recomprado pelo BC. Outros US$ 99 milhões foram resgatados em abril e US$ 429 milhões no início deste mês, o que esgotou o estoque dessa operação. A mudança na estratégia não foi comunicada oficialmente pelo BC, como uma forma de preservar a linha de atuação. A exceção foi a última recompra, quando o governo anunciou que não iria fazer a rolagem.
Ao pegar de volta esses dólares, o Banco Central reforça também o saldo das reservas internacionais brasileiras. O impacto dessa última compra, de US$ 429 milhões, ajudou a elevar o saldo das reservas cambiais em 5 de maio, quando chegou a US$ 42,093 bilhões.
Quando anunciou o primeiro leilão de linha externa, no ano passado, o BC já tinha sinalizado que seria um mecanismo temporário de oferta de dólares ao mercado. Com a operação, o BC faz a intervenção cambial, mas pode recompor as reservas internacionais quando ocorre a liquidação da linha externa.

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