O Banco Central anunciou ontem a redução da alíquota dos compulsórios incidentes sobre os depósitos feitos à vista de 60% para 45%. Em nota divulgada juntamente com o anúncio da medida, o BC explica que a redução foi possível graças à política de combate à inflação adotada pelo governo federal desde o início do ano. A redução dos compulsórios em 15 pontos percentuais deve liberar para os bancos cerca de R$ 8,5 bilhões e, segundo estimativas da Febraban (Federação Brasileira das Associações de Bancos), a oferta de crédito para financiamentos deve aumentar em R$ 7,5 bilhões. O valor é calculado considerando-se o estoque atual de depósitos à vista do mercado, de R$ 55 bilhões.
A medida anunciada não altera os compulsórios sobre depósitos a prazo (de 23%, totalmente corrigidos pela Selic) e poupança (30%, dos quais 20% são corrigidos pela variação da TR, mais 0,5% ao mês e os 9,5% restantes pela variação da Selic).
A alíquota de compulsórios incide sobre qualquer depósito feito à vista e hoje retém no BC 45% de todos os valores creditados. Esse dinheiro é teoricamente utilizado em financiamentos de projetos do governo federal. A redução da alíquota facilitaria a realização de operações financeiras pelos bancos, colocando mais dinheiro à disposição do mercado. Ainda segundo previsão da Febraban, a medida deve favorecer a redução dos spreads bancários (diferença dos juros incidentes sobre a captação e empréstimo de dinheiro), facilitando o crédito, já que os bancos incluem o custo dos compulsórios em seus spreads para empréstimos.
Após o anúncio do BC, Itaú e Bradesco foram os primeiros bancos a reduzir suas taxas de juros, em especial para financiamentos destinados a pessoas jurídicas, pois as instituições acreditam ser este o setor que vai influir mais diretamente na geração de empregos, renda e podução. A redução dos juros desses bancos deve significar principalmente a queda das taxas de cheques especiais e de duplicatas, além da facilidade para crédito pessoal. O Banco do Brasil também já se manifestou, dizendo que deve anunciar alguma decisão realtiva à queda do compulsório na semana que vem.
A redução do compulsório também pode significar aumento de lucros para os bancos em pelo menos 3%, de acordo com o analista Paul Tucker, do Banco de Investimentos Merrill Lynch. Em relatório, o analista reafirma a justificativa do BC para a queda da alíquota (sucesso da política anti-inflação). As taxas mais baixas devem também dar suporte à qualidade dos ativos e estimular o crescimento do crédito, que tem sido anêmico, acrescenta. O analista considera a decisão positiva, embora previsível.
A medida também foi comemorada pelo presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) Luiz Marinho, que acredita que a redução terá efeito mais imediato sobre o crédito para financiamentos. (Com Agência Estado)

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