O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu ontem a TBC (Taxa Básica do Banco Central) de 21% anuais para 19,75% ao ano. Foi a oitava redução dos juros básicos da economia desde outubro de 1997, quando o governo aumentou a TBC para 43,4% ao ano para evitar a fuga de recursos do País. A elevação dos juros básicos no ano passado foi uma resposta do governo ao mercado financeiro internacional. Teve como objetivo demonstrar que a situação do Brasil não é igual à dos países asiáticos. Ao mesmo tempo, deixou claro que a política cambial não seria alterada pela crise externa.
O governo também reduziu a Tban (Taxa de Assistência do Banco Central) de 28% ao ano para 25,75% anuais. Essa taxa é cobrada pelo BC quando empresta recursos para as instituições financeiras. Desde que retomou a trajetória de queda da TBC, o governo vem mantendo uma diferença entre as duas taxas. Embora a TBC seja o principal indicador do mercado financeiro na formação das taxas de juros, a sua queda não deverá ter nenhum impacto imediato no crédito direto ao consumidor. O principal motivo para esse comportamento, segundo os analistas financeiros, é que a inadimplência ainda está muito alta.
De qualquer forma, a redução dos juros básicos indica ao mercado financeiro a tendência para os próximos meses. Por outro lado, a queda dos juros é uma forma de incentivar o crescimento econômico - que neste ano deverá ficar em no máximo 2% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do País).
A reunião do Copom começou às 18h. Duas horas depois, a assessoria de imprensa do BC comunicou os novos valores da TBC e da Tban a partir de hoje. A próxima reunião do Copom está marcada para o dia 2 de setembro. A expectativa do mercado e do governo é que a tendência de queda seja mantida. O bom saldo das reservas brasileiras em moeda estrangeira contribui para manter a tendência de redução dos juros. Em junho, por exemplo, as reservas estavam em pouco mais de US$ 70 bilhões. Esse bom desempenho deve se manter com o ingresso de recursos externos para a privatização da Telebrás.
Para manter a redução de juros, porém, o governo terá de diminuir o ritmo de desvalorização do real em relação ao dólar neste semestre. Essa é a opinião do ex-presidente do BC, Gustavo Loyola. Dessa maneira, o governo mantém os ganhos dos investidores estrangeiros no Brasil e pode evitar queda nas reservas. Segundo ele, isso deve ser feito para manter a remuneração paga ao investidor estrangeiro - o chamado cupom cambial. Caso essa remuneração fique muita baixa, é possível que ocorra fuga de recursos para o exterior, principalmente de curto prazo, que ingressa no País para ganhar com a diferença dos juros internos (mais altos) e externos (mais baixos).
Além de reduzir os juros básicos, como vem sendo feito desde novembro do ano passado, o governo adotou nos últimos dois meses várias medidas para aquecer o nível de atividade econômica. A de maior impacto sobre o crédito direto ao consumidor foi a redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
A melhora no nível de atividade econômica sempre está associada à geração de novos empregos. E o desemprego é uma das principais preocupações do brasileiro, conforme pesquisas publicadas em junho. Desde que as pesquisas mostraram isso, o governo anunciou medidas que podem criar novos empregos.
O mercado de juros acompanhou o ritmo de bom-astral, ontem, com a venda da Telebrás. Após o leilão, já se falava que o Copom poderia baixar a TBC para menos de 20%, como se comprovou logo depois.

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