Depois da crise da semana passada, uma onda de otimismo invadiu o mercado ontem, forçando o Banco Central a comprar dólares para manter a cotação da moeda no piso da banda. Ou seja, no limite mínimo do intervalo fixado pelo BC para a variação no preço da moeda estrangeira. A avaliação foi feita, no final da tarde, pela chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin), Maria do Socorro Carvalho. ‘‘O otimismo foi um reflexo de análises feitas no mercado sobre a eficácia das medidas adotadas, como o aumento dos juros, e também da intenção do governo de cortar gastos’’, avaliou a chefe do Depin.
Foram três leilões de compra e, segundo assegurou Maria do Socorro, desde a quinta-feira, quando foi adotada a elevação dos juros, o BC já conseguiu recomprar, em cinco leilões, ‘‘praticamente metade do que ficou encarteirado’’. A avaliação da chefe do Depin, portanto, é que voltaram ao Banco Central em torno de 50% dos recursos que as instituições compraram e mantiveram em caixa. Ou seja, não enviaram para o Exterior. Sobre a parcela das reservas que efetivamente deixaram o País, o que corresponde a US$ 4,77 bilhões, Maria do Socorro confirma que ainda não houve retorno. Ela diz, no entanto, que a privatização da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) vai acelerar a recuperação das reservas.
De acordo com a chefe do Depin, ontem as instituições estavam preocupadas em se desfazer das posições em dólar. Ou seja, vender os recursos estrangeiros que ficaram em caixa. Até porque, segundo avaliou, estava caro permanecer com os dólares. Ao mesmo tempo em que estavam perdendo a chance de aplicar os recursos e ter a retorno das novas taxas de juros.
No período a manhã, o BC fez um leilão de spread, quando atua na ponta de compra e de venda indicando novos limites para a variação da moeda dentro de um limite mais largo. Ou seja, fixar a intra-banda dentro da banda larga. O resultado foi um piso de R$ 1,1035 e teto de R$ 1,1085.

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