Desempregado há um ano, o almoxarife Marcos da Silva deixou de pagar as prestações de um financiamento da casa própria, acumulando dívida superior a R$ 35 mil junto a Caixa Econômica Federal. Ele foi um dos inadimplentes do Sistema Financeiro de Habitação a procurar ontem a central de atendimento itinerante do Banco Central, instalado no saguão da prefeitura de Londrina, para tentar uma solução para o seu caso. Mais que isso: para desabafar. Além da consultoria técnica, os analistas da Secretaria de Relações Institucionais do Banco Central do Brasil (BC) atuaram, em alguns casos, como conselheiros.
O imóvel de Silva foi a leilão e o processo de despejo está em andamento. Ele pediu aos analistas do Banco Central que fizessem os cálculos para saber se os juros cobrados pela Caixa estão corretos. ‘‘Mas não dá para fazer isso porque o caso está na Justiça. Esses cálculos são feitos por peritos’’, explicou o analista Francisco José Grossl, que recomendou ao almoxarife que procurasse o Tribunal de Pequenas Causas. ‘‘Não podemos ajudar nesse caso mas não deixamos de ouvir as reclamações.’’
A central do BC atendeu ontem cerca de 50 pessoas em Londrina. A maioria das reclamações, porém, fugiam à competência do Banco Central. ‘‘Muita gente reclamou da cobrança de tarifas e juros altos por parte dos bancos. Apesar de regulamentar todo o sistema financeiro, o Banco Central não pode fazer nada porque essas taxas são livres. A população é que tem que passar a ver o banco como um comércio e optar pelos que oferecem serviços mais baratos’’, recomendou o analista Antonio Viana.
Cerca de 10% dos atendimentos de ontem se referiam a reclamações de cobranças indevidas em conta bancária. ‘‘Um aposentado nos procurou para reclamar de mais de 20 cobranças referentes a créditos de celular de R$ 200 cada. O problema é que ele nem tem celular. Telefonamos para a gerente do banco para pedir os extratos e já montamos um dôssie para apurar o caso’’, contou Viana. Este é um caso típico em que o BC pode agir, explicou.
É a primeira vez que o Banco Central monta uma central desse tipo em Londrina. Neste ano, os analistas instalarão a central itinerante em outros dois municípios paranaenses, ainda a serem definidos. ‘‘Escolhemos Londrina por causa do alto índice de reclamações contra consórcios em nosso serviço 0800. Muitas pessoas compram consórcios com a promessa que receberão o bem rapidamente, ou sejam, são enganadas pelos vendedores’’, disse Viana. Ele lembrou que os interessados em adquirir consórcio podem checar a idoneidade do grupo junto ao BC.
Os casos graves podem gerar a abertura de processo administrativo contra o banco ou consórcio reclamado. Em janeiro deste ano o BC liquidou o Consórcio Multiplan, de Curitiba. Os analistas vão atender os londrinenses na central itinerante até sexta-feira, das 9 às 16 horas, e também pelo telefone 372-4390, fax 372-4241 ou pelo 0800992345.

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