O consumo desenfreado de produtos, o crédito fácil e o aquecimento do emprego estão empurrando a inflação para cima. Tudo indica que Banco Central, através do Comitê de Política Monetária (Copom), pretende frear esta alta inflacionária anunciando, hoje, o aumento sobre a taxa básica de juros, atualmente na casa de 11,25%. A medida impopular para o crescimento da economia, terá no spread, juros cobrados pelos bancos acima da taxa Selic, o vilão número um para o setor empresarial, que retrairá investimentos na produção, podendo até promover corte de pessoal. O ônus maior do anúncio do BC fica para a população, além do emprego retrair, os empréstimos bancários e no crediário podem ficar mais salgados.
A projeção é de Daniela Prates, professora do Centro de Conjuntura de Política Econômica (Cepe) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). ''Todas as taxas de empréstimos e de créditos vão aumentar'', afirma.
De acordo com a operação de crédito, quem faz empréstimo bancário pagará spread diferentes. Os contratos pré-fixados com os bancos não sofrerão qualquer majoração. Já as taxas pós-fixadas terão ''substanciais'' alterações nos juros, segundo Daniela, que também é doutora em Economia. Nestas operações de empréstimos, os spread atuais têm girado em torno de 37% para crédito pessoal (outubro/2007), 128% para o cheque especial, em doze meses. No crédito de veículos, porém, o juros contratatos giram em torno de 18% por ano. ''É baixo o empréstimo para comprar o carro, porque, caso o consumidor não pague o bem, o banco aliena'', explica. Outros bens financiados, o spread cobrado pode chegar a 44% de juros.
Caso a taxa de juros seja maior, Daniela recomenda ao consumidor avaliar se vale a pena se endividar. Ele vai ter gasto maior para emprestar, e vai pagar mais juros, diante do que já vem pagando'', sintetiza.
Daniela diz que a tendência é a de que o empresariado retraia suas decisões, investimentos e produção. ''O corte de pessoal não está descartado nas empresas'', assinala Daniela. A professora da Unicamp pondera que a taxa de pessoas desocupadas é a mais baixa desde 2002. O IBGE apontou em fevereiro deste ano 8,7% na taxa de desemprego, abaixo da média histórica, acima de 10%. ''Culturalmente o Banco Central prefere controlar a inflação, do que manter o crescimento e o emprego''.
O BC está atacando pelo lado errado, segundo a pesquisadora, o aumento na taxa de juros não irá baixar a inflação. ''A inflação está ligada a um aumento de custo - aumento dos alimentos e das commodities'', aponta. A ONU anunciou esta semana que os alimentos sofreram um aumento nos preços da ordem de 40%, provocando conflitos na África e no Haiti. ''O que está provocando esta alta é o uso de grãos para produção de biocombustíveis (por exemplo, o etanol). Aí temos um problema de oferta de alimentos no mercado mundial'', esclarece. Ela acrescenta que a crise americana também estaria empurrando a taxa de juros do Brasil para cima.

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