BC projeta reajustes para telefonia e energia
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004
João Sandrini<br> Agência Folha 
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) reduziu sua estimativa para os reajustes de energia elétrica em 2004 ao mesmo tempo em que elevou as projeções para a alta da telefonia fixa.
Na ata da reunião da semana passada, divulgada ontem, o comitê prevê um aumento de 6,8% para a telefonia neste ano. Até o mês passado, a projeção de alta era de 6,6%. Já as tarifas residenciais de energia elétrica devem ter um aumento médio de 6,3% em 2004. A projeção anterior era de 6,8%.
Por último, as projeções de aumento da gasolina e do gás de botijão foram mantidas em 9,5% e 10%, respectivamente.
O recente nervosismo do mercado com a crise política enfrentada pelo governo Lula foi ignorado pelo Banco Central na decisão, tomada na semana passada, de manter a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) em 16,5% ao ano.
Na ata, o comitê cita apenas um único fator para o aumento do risco-país e do dólar verificado nos últimos dias: a expectativa de uma antecipação no aumento da taxa de juros nos Estados Unidos.
Esse fator afetou a cotação do real porque juros maiores nos EUA - hoje são os menores em mais de 40 anos - poderiam reduzir a atratividade de países emergentes, como o Brasil, para os investidores estrangeiros.
Segundo o Copom, essa expectativa foi responsável pelo aumento do risco-Brasil em quase cem pontos entre as reuniões de janeiro e fevereiro e pelo avanço da cotação do dólar de R$ 2,84 para R$ 2,91 no período.
O mercado, entretanto, refletiu nos últimos dias principalmente a crise política enfrentada pelo governo desde as denúncias de tráfico de influência contra Waldomiro Diniz, que até o início de fevereiro era assessor direto do ministro José Dirceu (Casa Civil).
O Copom acredita, porém, que o cenário externo ainda é favorável para o Brasil. ''O cenário externo permanece bastante positivo, com perspectiva de crescimento nas principais economias mundiais, de aumento da demanda pelas exportações brasileiras e de condições favoráveis de liquidez internacional'', diz a ata.


