BC projeta gasolina até 6,5% mais barata a partir de abril
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2001
Agência Estado De Brasília 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) acredita que o preço da gasolina no mercado doméstico poderá cair 6,5% para o consumidor a partir de abril. A queda seria o resultado da redução de 8,65% nos preços cobrados pelas refinarias. A informação consta da ata da última reunião do Copom, realizada na semana passada, quando o comitê baixou a taxa de juro básica de 15,75% para 15,25% ao ano. Os diretores do banco também avaliaram que o cenário econômico doméstico e externo aponta que as perspectivas para 2001 e 2002 sugerem queda na inflação, de acordo com as metas.
Segundo o documento, divulgado ontem, a expectativa de corte de 5% na produção de petróleo pelos países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não deve acarretar grande turbulência no preço internacional da commodity. Além de uma possível queda de 6,5% nos preços da gasolina no mercado interno a partir de abril, o Copom considera bastante provável a ocorrência de reduções adicionais no restante do ano.
Os diretores do Banco Central também concluíram que, caso a taxa Selic tivesse sido mantida em 15,75% ao ano (porcentual vigente até o dia 17 de janeiro), estaria garantido o cumprimento das metas de inflação tanto para este ano quanto para 2002. Essa última conclusão permanece válida quando utiliza-se a trajetória para os juros nominais esperada pelo mercado (14% ao ano ao fim de 2001), e expressa na pesquisa mensal coletada pelo BC, afirmam os diretores do Banco Central. O mercado interpretou que há espaço, portanto, para novas reduções de juros neste ano.
Apesar de ressaltar que há algumas incertezas ainda não dissipadas, a avaliação feita pelo Banco Central é de que o cenário externo neste início de ano apresenta-se positivo. O documento diz ainda que o comportamento recente dos preços internacionais do petróleo sugere o esgotamento do ciclo de alta iniciado há dois anos. A ata lembra também que, na Argentina, a retomada da confiança propiciou a redução das taxas de juros domésticas e do spread entre as operações em pesos e em dólares neste início de ano.
Na economia norte-americana, confirma-se a desaceleração do ritmo de crescimento, afirmam os diretores. É ressaltado, no entanto, que persistem dúvidas sobre qual a intensidade da desaceleração da economia dos Estados Unidos. Na avaliação do Copom, uma desaceleração mais forte prejudica o financiamento externo brasileiro e as exportações, o que, consequentemente, contribui negativamente com as perspectivas de crescimento da economia nacional este ano.
Esse movimento, porém, tende a gerar não só taxas de juros menores nos Estados Unidos, mas também uma trajetória mais favorável para os preços internacionais do petróleo, o que favorece a queda da inflação. Dependendo da magnitude desses efeitos, os riscos sobre a economia brasileira decorrentes dos desdobramentos futuros da economia dos Estados Unidos podem se contrabalançar, avaliam.
Ao analisar o núcleo de inflação do IPCA no final do ano passado (que se manteve praticamente estável em 0,33% em dezembro), a diretoria do Banco Central entende que ela sugere níveis de inflação mensal compatíveis com a meta estabelecida para 2001 (4% ao ano).


