BC prevê IPCA acima da meta de 5,1% neste ano
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terça-feira, 29 de março de 2005
Agência Estado 
Brasília - A política de juros altos do governo já está produzindo menor crescimento econômico, mas ainda não foi suficiente para deixar a inflação no nível desejado pelo Banco Central (BC). No mais recente relatório trimestral de inflação, divulgado ontem, os diretores do BC elevaram de 5,3% para 5,5% a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, que serve de referência para equipe econômica) deste ano. Esse valor, que é obtido considerando juros em 19,25% ao ano até dezembro e taxa de câmbio a R$ 2,70, é maior do que os 5,1% fixados como alvo pelo BC. Quando se leva em conta a média das estimativas dos analistas de mercado para juros e câmbio, que chega a 17,42% ao ano e R$ 2,78, respectivamente, a inflação é ainda maior: 6,1% e se aproxima do teto da meta do ano que é de 7%.
Já a projeção de crescimento da economia para 2005 está em 4%, abaixo dos 5,2% registrados em 2004. Essa estimativa é a mesma do relatório divulgado em dezembro, quando o BC já previa os impactos do processo de elevação dos juros iniciado em setembro sobre o nível de atividade e a menor participação do setor agrícola no crescimento.
Ao mesmo tempo em que trabalham com uma inflação maior, os diretores do BC ressaltam no documento a avaliação feita na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de que eles já estão mais confortáveis com a trajetória de inflação para o ano. Essa atitude sinalizou para os analistas financeiros que o processo de alta da taxa de juros chegou ao fim e também que o BC já teria abandonado a meta de 5,1% para o ano. No entanto, não se espera que o governo vá admitir agora o abandono da meta porque fazer isso no início do ano poderia deteriorar ainda mais as expectativas dos agentes econômicos em relação à inflação futura.
O diretor de Política Econômica do BC, Afonso Beviláqua, negou que o BC não esteja mais orientando a política de juros 5,1% para o IPCA no final do ano. ''A meta continua sendo 5,1%'', disse. Segundo ele, embora a inflação ainda esteja elevada e tenham riscos para trajetória futura, as informações mais recentes disponíveis mostram que a pressão sobre os preços no atacado está diminuindo e o quadro começa a se reverter. ''Esses dados elevam a possibilidade de convergência da inflação para a meta'', destacou Beviláqua.


