O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, admitiu ontem que o Brasil poderá viver novos momentos de volatilidade por causa do aumento das taxas de juros nos Estados Unidos na última terça-feira. Segundo explicou Figueiredo, a partir do aumento de 0,50 ponto porcentual nas taxas do Federal Reserve, que agora estão em 6,5% ao ano, haverá um ajuste da economia norte-americana, o que provocará momentos instáveis nos Estados Unidos e terá reflexos em outras economias, inclusive a brasileira.
Mas destacou que, no mês de abril, quando as economias de todo o mundo viveram turbulências já por causa das expectativas em relação ao que seria decidido pelo Fed, os reflexos no Brasil não foram relevantes. ‘‘A situação do nosso fluxo é absolutamente tranquila’’, disse o diretor.
Ele lembrou que, embora tenha havido algumas saídas de recursos das bolsas de valores no mês passado, elas foram compensadas pelo ingresso de outros investimentos. Considerando o final de abril e a primeira quinzena deste mês, segundo ele, houve um ingresso de US$ 1,4 bilhão.
O período de ajuste da economia norte-americana, segundo o diretor do BC, acontecerá até o momento em que a atividade nos Estados Unidos passe a não gerar um potencial de inflação. Figueiredo fez questão de destacar que o impacto da decisão do Fed só poderá ser sentido daqui para frente.
Em depoimento ontem na Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados, ele confirmou que, há um mês, o BC trabalhava com a expectativa de um aumento de 0,25 ponto porcentual nos juros norte-americanos. ‘‘Só no último mês passou-se a cogitar que a elevação seria de 0,50’’, afirmou.
Ele esquivou-se de responder se, a exemplo do que já está sendo cogitado por analistas de mercado, o BC está trabalhando com projeções de um novo aumento de 0,50 ponto porcentual nos juros norte-americanos em junho.
Figueiredo negou que o pagamento de juros ao exterior e a remessa de lucros e dividendos, fatores que geraram uma piora no déficit das contas externas em abril, possam trazer maior vulnerabilidade ao Brasil. Ele explicou que a maior remessa de lucros e dividendos é resultante do maior volume de investimentos estrangeiros.
E destacou que os estrangeiros também têm reinvestido no Brasil. O diretor lembrou que, no Chile, os estrangeiros são responsáveis por uma parcela que varia entre 60% e 70% do Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, segundo ele, esta parcela está entre 20% e 30%.
Destacou também que ‘‘a propensão para exportar dos estrangeiros é maior que a dos brasileiros’’. De acordo com Figueiredo, os estrangeiros respondem por 43% das exportações do País. Nas exportações acima de US$ 50 milhões, estas empresas respondem por 69,7% das exportações.

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