Brasília - O Banco Central elevou sua projeção de inflação para 2004, embora ainda mantenha a convicção de que os preços permanecerão dentro da meta estabelecida pelo governo. Segundo o Relatório de Inflação do último trimestre deste ano, divulgado ontem, a inflação de 2004, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 4,5%. A nova previsão ficou acima da projeção anterior, de 3,9%, mas ainda abaixo dos 5,5% definidos como meta oficial para o ano que vem. O IPCA deste ano, segundo o BC, deverá ter elevação de 9,1%, ante os 8,9% previstos anteriormente.
Para o BC, esse cenário configura ''relativa estabilidade'', já que os fatores que podem provocar alta de preços estão sendo contrabalançados pelos que exercem influência de baixa. Ao explicar os termos do relatório, o diretor de Política Econômica do BC, Afonso Bevilácqua, reafirmou o argumento, já utilizado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de que é preciso ''parcimônia'' em flexibilizações adicionais da política monetária - ou seja, no ritmo de redução das taxas de juros.
''Esta parcimônia é necessária para preservarmos as conquistas no combate à inflação e na retomada do crescimento econômico'', disse. Ele lembrou que o Copom já reduziu a taxa báxica de juros, a Selic, em 10 pontos porcentuais desde junho e que isto tende a aumentar as incertezas quanto às magnitudes e defasagens dos mecanismos de transmissão dos efeitos da política monetária. ''Nesse momento, ainda não dá para ter muita clareza sobre os impactos da queda dos juros sobre o nível de atividade e a inflação.''
O relatório reitera a previsão do governo de que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 3,5% em 2004, depois do fraco desempenho de 2003. A taxa de crescimento deste ano, prevista em 0,6% no relatório de setembro, foi agora revisada para 0,3%. Apesar disso, o documento explica que está havendo uma recuperação da economia na margem. Esse movimento é sinalizado pelo crescimento do PIB no quarto trimestre deste ano, que está sendo projetado em 2% acima do resultado do último trimestre de 2002.
O relatório divulgado pelo BC projeta um IPCA de 1,1% acumulado nos primeiros três meses de 2004. O porcentual, de acordo com o documento, substituirá os 5,1% de igual período deste ano de 2003. ''Entre o primeiro e o segundo trimestres (de 2004), a inflação deverá cair mais 0,5 ponto porcentual principalmente por causa de fatores sazonais, associados ao início da safra agrícola'', diz o texto.
Todo o cenário de referência do Banco Central foi feito com a hipótese da manutenção da taxa de juros de 16,5% ao ano, e uma taxa de câmbio próxima a R$ 2,94. De acordo com esse cenário, 2004 começaria com inflação anualizada de 5% no primeiro trimestre de 2004, 4,4% no segundo e no terceiro trimestres e 4,5% no último trimestre do ano. Em 2005, a inflação cairia para 4,1% no primeiro trimestre, para 3,8% no segundo, voltaria para 4,1% no terceiro trimestre e baixaria para 4,0% no quarto trimestre.

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