O comitê de Política Monetária (Copom) acredita, com base nos indicadores disponíveis, que a taxa de inflação em 2002 tende a ficar pouco acima da meta de 3,5%. Essa foi uma das razões que levaram o comitê a decidir, por unanimidade, manter em 19% a taxa básica de juros, a Selic, segundo afirma a ata da reunião do Copom dos últimos dias 18 e 19, divulgada ontem. Como os juros são o principal instrumento da política de metas de inflação, e o cenário econômico é adverso, é pouco provável que o Copom venha a reduzir a Selic nos próximos meses, embora essa conclusão não conste de forma explícita no documento.
A ata da reunião de agosto informava que, na época, o Copom projetava inflação abaixo de 3,5% em 2002. O aumento da previsão deve-se às trajetórias de câmbio e dos preços de energia e derivados de petróleo.
Neste sentido, diz a nota, os choques que afetam a economia brasileira este ano ainda terão reflexos sobre a inflação de 2002. O Copom reconhece que ainda há riscos de que haja repasse da alta do dólar para os preços no ano que vem, na medida que a taxa de câmbio permaneça pressionada. Um fator que contribui para reduzir esses repasses é o desaquecimento da economia, que reduz a demanda e inibe aumentos de preços.
O Copom aumentou sua expectativa para o preço médio do barril de petróleo tipo brent para US$ 26,2 no terceiro trimestre e a para US$ 28,1 no quarto trimestre deste ano. E consideoru que, no primeiro trimestre de 2002, os preços dos derivados no mercado interno serão reajustados com base na estrutura de custos determinada pela média dos preços em vigor no último trimestre de 2001. A projeção para o reajuste das tarifas de energia elétrica em 2001 foi mantida em 20%. Para 2002, o reajuste esperado também é de 20%, entre aumentos para consumidores residenciais e não residenciais.
Em 2001, segundo a nota, a manutenção da taxa de juro no nível atual de 19% ao ano aponta para uma inflação pouco acima do limite superior da meta, que é de 6%. Na reunião da semana passada, o Copom considerou que ainda é prematuro prever os efeitos da crise dos Estados Unidos sobre a economia mundial e a brasileira. Avaliou, no entanto, que as dúvidas sobre a situação da economia mundial, agravada pelos atentados terroristas, poderão abalar a confiança dos consumidores, aumentar a volatilidade dos mercados financeiros e do preço do petróleo e reduzir os fluxos de capitais.

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