BC prevê inflação de 6,1% para 2014
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quinta-feira, 27 de março de 2014
Agência Estado 
Brasília - O Banco Central (BC) voltou a revisar para cima as expectativas de alta dos preços no País, tanto para este ano quanto para o próximo. O Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado ontem trouxe um cenário mais sombrio para o poder de compra dos brasileiros e os economistas já passaram a apostar na continuidade da alta dos juros.
Novas estimativas para o IPCA, divulgadas ontem pelo BC, apontaram que a presidente Dilma Rousseff vai terminar seu governo com uma inflação de 6,1% - maior do que a alta de 5,91% deixada pelo ex-presidente Lula no último ano do seu segundo mandato. Em 2015, o próximo presidente terá que lidar logo no início do seu governo com uma inflação também elevada. O BC só prevê queda dos preços para patamares abaixo de 6% no segundo trimestre de ano que vem. Ainda assim, o IPCA deve fechar 2015 com alta de 5,5% - distante da meta de 4,5%.
Na direção contrária da inflação mais salgada, o BC reduziu ainda mais a estimativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB) para 2014, de 2,3% para 2%. Se confirmada a previsão, a presidente terá alcançado um crescimento médio da economia, nos quatro anos do seu governo, de 2,04%. Com Lula, a economia teve uma média de crescimento de 3,67% no primeiro mandato e de 4,71% no segundo. FHC terminou o seu segundo mandato com crescimento médio de 2,19% e o primeiro com alta de 1,99%.
Incertezas em relação aos preços de energia e o novo choque de preços de alimentos, decorrentes do comportamento atípico das condições climáticas no começo deste ano em diversas regiões do País, devem levar o BC a adiar o fim do ciclo de alta de juros.
Incertezas
Além de lacunas em relação ao setor energético, há incertezas em relação ao reajuste de gasolina. Esses fatores têm contaminado as expectativas inflacionárias dos agentes econômicos e tornado muito mais difícil a tarefa de domar a inflação. O BC subiu de 4,5% para 5% a estimativa de alta dos chamados preços administrados, que incluem gasolina, eletricidade e outros serviços como telefonia. O maior risco apontado pelos analistas é com represamento dos reajustes desses preços para 2015, que alimentam as expectativas de inflação.
O diretor de Pesquisas para a América Latina da Nomura Securities, Tony Volpon, considerou que, "por reconhecer os choques de preços administrados e de alimentos, o que é bem louvável, o BC indica que vai elevar os juros em 0,25 ponto porcentual em abril e também em maio". Volpon avaliou ainda que a evolução dos dados da inflação neste ano pode levar o BC a continuar o movimento de alta de juros até levá-los a 12% ao ano.



