Brasília – O Banco Central calcula em 50% a chance de a meta de inflação deste ano não ser cumprida. Segundo o BC, essa é a probabilidade de o aumento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar acima dos 5,5% fixados pelo governo.
A meta é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Nas contas do BC, o cenário mais provável é que a inflação deste ano fique em 5,5%. Porém há chances iguais, de 50%, de a inflação ficar acima ou abaixo disso.
Segundo o documento, um dos principais riscos ao cumprimento da meta é a alta do dólar, pois ainda não se sabe quanto desse aumento será repassado para os preços. Porém o diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn, diz que as turbulências do mercado financeiro devem ser passageiras. ‘‘A economia brasileira é mais sólida do que o nervosismo recente dá a entender.’’ Dos 5,5% de alta de inflação esperada pelo BC, 0,6 ponto percentual se refere ao efeito que a desvalorização do real deve ter sobre o nível de preços. Apesar de o dólar ter ultrapassado a casa dos R$ 2,80, Goldfajn afirma que dois fatores tendem a minimizar o efeito do câmbio na inflação.
Um deles é a própria redução do nível de atividade econômica. Para este ano, o BC projeta um crescimento de 2% para a economia brasileira. Nesta semana, o presidente do BC, Armínio Fraga, chegou a dizer que o Brasil irá crescer 1,5%, mas Goldfajn disse que essa previsão se refere a um cenário mais pessimista.
Um dia depois de o governo anunciar mudanças na meta de inflação para 2003, Goldfajn voltou a afirmar, ontem, que a decisão ‘‘abre um espaço maior’’ para uma redução dos juros básicos da economia no médio prazo. Ele disse, porém, que essa queda não irá necessariamente ocorrer no curto prazo.

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