BC prevê inflação de 2,5% e PIB 3% maior em 2003
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sábado, 29 de dezembro de 2001
Agência Folha 
Brasília O relatório de inflação divulgado ontem pelo Banco Central abre espaço para a queda das taxas de juros a partir do segundo trimestre de 2002. O BC apresentou uma projeção de 2,5% para a inflação acumulada em 2003, abaixo da meta de 3,25% (com desvio de dois pontos para cima ou para baixo) fixada pelo governo.
O relatório fala sobre a possibilidade de redução das taxas de juros sem especificar o momento em que isso aconteceria. Mas, segundo o chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas do BC, Gustavo Bussinger, há uma defasagem de até três trimestres entre a redução dos juros e o seu efeito sobre as taxas de inflação.
Se o cenário macroeconômico permanecer igual ao atual no primeiro trimestre de 2002, as chances de redução dos juros seriam menores no início do ano porque a projeção de inflação para 2002 é de 3,7%. O percentual já está acima da meta central, que é de 3,5%.
Segundo o chefe do Departamento Econômico, Altamir Lopes, mesmo com a queda dos juros projetada pelo mercado financeiro em 17% para 2002, a relação entre a dívida pública e o PIB (Produto Interno Bruto) permaneceria em torno de 52% no ano que vem. Esse também é o percentual esperado para 2001.
O cálculo tem como base a expectativa do mercado de que a taxa de câmbio alcance R$ 2,70 no próximo ano. Segundo Lopes, a desvalorização do real tem um efeito imediato sobre a dívida. A queda das taxas de juros, porém, tem um benefício maior no longo prazo.
Pelo relatório do BC, se a taxa de juros básica permanecer em 19% ao ano, o crescimento do PIB será de 2% em 2001 e de 2,5%, em 2002. Nessas condições, o aumento da taxa real de juros (acima da inflação), segundo Bussinger, impediria crescimento superior a 3% até 2003. Segundo o BC, taxas superiores a 4,5% têm efeitos inflacionários.
O relatório reforça o discurso otimista do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que em entrevista na semana passada declarou que, se o ambiente econômico favorável continuar, as taxas de juros ao final de 2002 e início de 2003 estarão bem abaixo dos níveis atuais.


