BC prevê inflação de 10,8% no ano e de 6,2% em 2016
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Fábio Galiotto <br>Reportagem Local 
O Banco Central (BC) divulgou ontem a estimativa de 10,8% para a inflação oficial do País em 2015, 6,2% em 2016 e 4,8% em 2017, quando finalmente o índice se aproximará do centro da meta estabelecida pelo órgão monetário, de 4,5%. Conforme o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de dezembro do BC, o principal vilão neste ano foram os preços administrados pelo governo, que foram represados em anos anteriores. Nos próximos dois anos, a expectativa é de que a pressão sobre esses itens diminua porque o ajuste necessário nos valores já foi feito.
Segundo o RTI, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será desinflacionado em 6 pontos percentuais em dois anos. O diretor de Política Econômica do BC, Altamir Lopes, disse ontem, em entrevista na sede da entidade, que houve represamento de preços administrados nos anos anteriores que culminou em aumento de 18,2% neste ano. Os preços livres tiveram alta bem inferior, de 8,4%.
Ele ainda citou como problemas a desvalorização cambial, a crise política e efeitos climáticos. A tarifa de energia elétrica, por exemplo, teve alta neste ano estimada em 51,2%, seguida pela gasolina (19,3%). Como não será mais necessário novo ajuste nos preços controlados em 2016, o BC estima em 5,9% o aumento no segmento no próximo ano. "A expectativa que temos é de 4,6% de elevação para a energia elétrica, sem considerarmos a bandeira. Com o El Niño, a possibilidade de mexer na bandeira muda muito", disse.
Ele citou ainda a redução da taxa energia fornecida pela Itaipu Binacional. A tarifa passou de US$ 26,05 em 2014 para US$ 38,07 em 2015, devido ao risco hidrológico causado pelo período de seca. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou recentemente que a taxa em 2016 será de US$ 25,78, inferior à de 2014 em dólares, ainda que a cotação tenha disparado.
Com a melhora do cenário, Lopes enfatizou que o BC tem determinação, autonomia e instrumentos para buscar a redução do IPCA. "O Banco Central reconhece que a inflação está elevada, reconhece os malefícios da inflação, como encurtar o horizonte de planejamento, aumentar a concentração de renda e diminuir o bem-estar social, mas o que temos a dizer é que só temos um mandato em relação à inflação, que é assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda", afirmou.
Questionado sobre quais agentes não econômicos interferiram no cenário do País, ele citou crise do governo federal com o Congresso. "Incertezas de natureza política retardam investimentos, então quanto mais cedo tivermos o desenrolar dessas questões, mais claros ficará o horizonte."
Diretor executivo do Instituto Datacenso em Curitiba e especialista em comércio, Claudio Shimoyama considerou que é plausível a desaceleração da inflação. "Tivemos eleições em 2014 e o governo segurou muito os preços. Independentemente de quem assumisse, seria preciso corrigir os controlados, que interferiram nos custos de forma geral", disse. "Lógico que não se esperava que a alta passasse de 10%, mas extrapolou um pouco pela cotação do dólar e pela crise política, com as denúncias sobre corrupção", completou.
A professora de economia Katy Maia, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), também afirmou que não se trata de otimismo, mas de tendência. "É algo que não vai ocorrer em 2016 porque já ocorreu", disse. Ela lembrou que é preciso encontrar uma fórmula que não descarte a adoção de políticas para desenvolvimento da indústria e de investimentos, desde que o governo faça a parte dele e corte gastos da máquina pública. "Mas considero temerário esse processo de impeachment, porque as pedaladas fiscais não são motivo. Há pressão de parte da população e da oposição, mas isso deixa o País sem chão e contamina a economia."
Shimoyama mostrou preocupação semelhante. "Temos uma insegurança com a sobre o perfil desse novo ministro da Fazenda (Nelson Barbosa) e, para ganhar confiança, é preciso rigor no controle de gastos."
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