BC prevê inflação de 0,5% até dezembro
Agência Estado
De Brasília
As taxas médias mensais de inflação para os próximos três meses deverão ficar em torno de 0,5%. Estas estimativas constam do relatório trimestral de inflação que foi divulgado ontem pelo Banco Central. No cenário traçado pelo BC, até o final do ano as variações acumuladas para os índices gerais de preços deverão ficar em torno de 14%, enquanto os índices de preços ao consumidor deverão fechar o ano entre 5% e 8%.
Segundo o relatório, as taxas dos próximos meses deverão ser impactadas pelas altas decorrentes da entressafra de produtos agropecuários e também pela elevação sazonal dos preços do vestuário nos últimos meses do ano. De qualquer maneira, o BC não considera que este comportamento dos índices signifiquem tensões inflacionárias. O quadro atual não apresenta riscos substanciais de inflação, diz o relatório, considerando que a demanda interna não referenda crescimento substantivo do consumo. Também no relatório, o Banco Central assegura que não foram identificados choques capazes de interferir na dinâmica da inflação doméstica. Tanto do lado da demanda, quanto da oferta.
Ao mesmo tempo, no entanto, o BC também admite dois fatores de preocupação em relação à trajetória de inflação: primeiro o comportamento do preço do petróleo, que pode continuar subindo em virtude da maior demanda por parte dos países desenvolvidos durante o período do inverno. O segundo fator considerado pelo BC é que, em contexto de maior crescimento, poderá haver alguma pressão por recomposição das margens de lucro das empresas, comprimidas pela desvalorização cambial. Dessa forma, admite o relatório, a despeito da trajetória esperada da inflação ser claramente descendente, poderá haver uma ligeira elevação dos índices.
Ainda no documento, o BC lembra que as metas fiscais vêm sendo integralmente cumpridas. E destaca que o governo deve continuar contribuindo efetivamente para a manutenção da estabilidade dos preços. Mas adverte que o governo ainda apresenta desajustes fiscais importantes como o desequilíbrio do sistema previdenciário e que o adiamento de uma solução perene para esses desajustes atua negativamente sobre as expectativas.
Para o ano 2000, a expectativa é que a inflação apresente quedas bem pronunciadas no primeiro e terceiro trimestres do ano. Estas quedas, segundo explicação constante do relatório, resultam da substituição dos elevados valores de inflação acumulada nos trimestres correspondentes deste ano pelos valores menores previstos.
No relatório, o BC prevê que as taxas de juros no Estados Unidos poderão sofrer nova elevação de 0,25% este ano. Com isso, prevê o documento, as taxas anuais naquele país passariam de 5,25% ao ano para 5,5% ao ano. Segundo o BC, a projeção de crescimento da economia mundial para o próximo ano poderá ser parcialmente frustrada pela eventual desaceleração da economia americana.
Ao analisar a economia internacional, o relatório revela que tem aumentado o número de transações financeiras internacionais que deixam de ser renovadas, principalmente aquelas que envolvem fluxos de capitais para as economias emergentes, em função da preocupação com os potenciais problemas para os sistemas informatizados da mudança de data na passagem para o ano 2000.





