BC prevê inflação acima da meta deste ano
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quarta-feira, 30 de junho de 2004
Agência Estado 
Brasília - O Banco Central (BC) elevou a projeção de inflação para este ano e para o próximo. O relatório trimestral de inflação, divulgado ontem, elevou de 5,2% para 6,4% a estimativa de inflação pelo IPCA no final de 2004 e de 4,2 % para 4,4% em 2005. Com isso, os diretores do BC indicam que a retomada do nível de atividade econômica este ano, depois da recessão vivida pelo País em 2003, virá acompanhada de maior pressão nos preços. Nos cálculos do BC, enquanto o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2004 será de 3,5% - já previstos nos dois últimos relatórios -, a inflação ficará acima do centro da meta do ano, fixado em 5,5%.
Além dos efeitos das turbulências externas, que têm se refletido em oscilações na taxa de câmbio, e do aumento do preço do petróleo, a piora nas expectativas dos agentes econômicos tem puxado para cima as projeções de inflação e preocupado os diretores do BC, segundo avaliação feita no relatório.
Os dados apresentados pelo diretor de Política Econômica, Afonso Beviláqua, mostram um descompasso entre as estimativas oficiais do governo e as dos analistas de mercado. Enquanto BC manteve a estimativa para crescimento do PIB em 2004 em 3,5% e elevou em 1,2 ponto porcentual a inflação do ano, os especialistas estão prevendo elevação do PIB em 4% em 2004 e trabalham com inflação no nível de 7%.
O que mais preocupa o BC, no entanto, é o fato de o mercado ter aumentado a estimativa de inflação não apenas para 2004 mas também para o ano que vem. Enquanto a previsão do governo para o IPCA em 2005 subiu para 4,4%, o mercado trabalha com inflação de 5,5%, acima, portanto, do centro da meta, fixado em 4,5%.
Segundo Beviláqua, o governo acredita que as fontes de incertezas que têm sustentado essa piora nas expectativas devem se dissipar no curto prazo, como é o caso do aumento da taxa de juros nos Estados Unidos anunciado ontem e que ficou dentro do esperado pelo mercado. Além disso, ele aposta que a persistência da alta do preço do petróleo, em razão da maior demanda pelo produto, será compensada pela redução no ritmo de crescimento da economia mundial. Isso, segundo o diretor, fará com que o preço se acomode no nível atual.
Beviláqua evitou comentários sobre avaliações de que, diante do cenário atual, há pouco espaço para o BC promover novas reduções da taxa básica de juros, atualmente em 16% ao ano. Ele assegurou que a meta de inflação do ano será cumprida. O BC trabalha com inflação de 6,4% para este ano e que foi este valor que norteou a decisão do Copom de manter inalterada a taxa de juros na última reunião.


