BC prevê desaquecimento natural em 97
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de dezembro de 1996
Agência Estado,<br> de Brasília 
A diretoria do Banco Central conta com uma desaceleração natural no ritmo de crescimento econômico no início de 1997 para manter a política de redução gradual de juros e não fazer novas intervenções na economia. Durante café da manhã com jornalistas, ontem, o presidente do BC, Gustavo Loyola, disse não ver nenhuma necessidade de dar uma freada na economia.
Na opinião do diretor de Política Monetária do BC, Francisco Lopes, o ritmo atual de crescimento econômico é muito forte e, portanto, não é sustentável indefinidamente. Ele estima que neste último trimestre do ano, os níveis de expansão estejam em torno de 7% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a estimativa do governo para o próximo ano é de um crescimento de 5%.
Havendo a desaceleração natural, segundo Chico Lopes, não será necessária qualquer medida de intervenção do governo. Segundo ele, isso já foi feito, anteriormente, com a contenção do crédito e elevação dos juros. Na hipótese dessa desaceleração não se confirmar, Lopes avisa que vamos interferir se necessário.
O principal fator de retração da economia, segundo avaliação de Loyola e Lopes, é a entrada em vigor da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeiras (CPMF) em janeiro. Com a nova contribuição, os fundos de investimento de curto prazo vão perder atratividade, fazendo com que os recursos saiam destas aplicações e passem para os depósitos à vista ou a prazo. Com esta migração, haverá um recolhimento de moeda da economia porque o compulsório sobre depósitos à vista e a prazo exigido pelo Banco Central é mais alto que o compulsório sobre os fundos. Isso significa que, à medida em que aumenta o volume de dinheiro nos depósitos à vista ou a prazo, cresce a parcela de recursos que os bancos são obrigados a depositar no Banco Central.
Para Loyola, dependendo do nível de retração, é possível que o BC tenha até que atuar no sentido de compensá-la, intervindo no sentido de dar mais liquidez ao sistema financeiro. Isso poderia ser feito com o resgate de títulos da dívida mobiliária. Ou seja, o BC tira títulos e injeta recursos na economia.
Lopes explicou que a aceleração de crescimento econômico ocorrida na segunda metade deste ano foi puxada pela expansão do crédito, principalmente para a população de baixa renda. Isso, segundo ele, gerou uma bolha de atividade com o crescimento da demanda por bens, como eletrodomésticos, por exemplo. Como a capacidade de endividamento da população é limitada, a bolha não é perene, destacou Francisco Lopes.


