A diretoria do Banco Central conta com uma ‘‘desaceleração natural’’ no ritmo de crescimento econômico no início de 1997 para manter a política de redução gradual de juros e não fazer novas intervenções na economia. Durante café da manhã com jornalistas, ontem, o presidente do BC, Gustavo Loyola, disse não ver ‘‘nenhuma necessidade de dar uma freada na economia’’.
Na opinião do diretor de Política Monetária do BC, Francisco Lopes, ‘‘o ritmo atual de crescimento econômico é muito forte e, portanto, não é sustentável indefinidamente’’. Ele estima que neste último trimestre do ano, os níveis de expansão estejam em torno de 7% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a estimativa do governo para o próximo ano é de um crescimento de 5%.
Havendo a desaceleração natural, segundo Chico Lopes, não será necessária qualquer medida de intervenção do governo. Segundo ele, isso já foi feito, anteriormente, com a contenção do crédito e elevação dos juros’’. Na hipótese dessa desaceleração não se confirmar, Lopes avisa que ‘‘vamos interferir se necessário’’.
O principal fator de retração da economia, segundo avaliação de Loyola e Lopes, é a entrada em vigor da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeiras (CPMF) em janeiro. Com a nova contribuição, os fundos de investimento de curto prazo vão perder atratividade, fazendo com que os recursos saiam destas aplicações e passem para os depósitos à vista ou a prazo. Com esta migração, haverá um recolhimento de moeda da economia porque o compulsório sobre depósitos à vista e a prazo exigido pelo Banco Central é mais alto que o compulsório sobre os fundos. Isso significa que, à medida em que aumenta o volume de dinheiro nos depósitos à vista ou a prazo, cresce a parcela de recursos que os bancos são obrigados a depositar no Banco Central.
Para Loyola, dependendo do nível de retração, é possível que o BC tenha até que atuar no sentido de compensá-la, intervindo no sentido de dar mais liquidez ao sistema financeiro. Isso poderia ser feito com o resgate de títulos da dívida mobiliária. Ou seja, o BC tira títulos e injeta recursos na economia.
Lopes explicou que a aceleração de crescimento econômico ocorrida na segunda metade deste ano ‘‘foi puxada pela expansão do crédito, principalmente para a população de baixa renda’’. Isso, segundo ele, ‘‘gerou uma bolha de atividade’’ com o crescimento da demanda por bens, como eletrodomésticos, por exemplo. Como a capacidade de endividamento da população é limitada, a ‘‘bolha’’ não é perene, destacou Francisco Lopes.

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