BC prevê deficit externo recorde em 2010
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segunda-feira, 22 de março de 2010
Fabio Graner e <BR>Fernando Nakagawa<br> Agência Estado 
Brasília - Embalada pelo ritmo forte da atividade econômica, a conta corrente do balanço de pagamentos brasileiro registrou em fevereiro saldo negativo de US$ 3,25 bilhões, valor recorde para o mês. Essa conta registra todas as transações de bens, serviços e rendas do Brasil com o exterior. Para março, com base nos dados disponíveis até ontem, o Banco Central já prevê deficit ainda maior: US$ 4 bilhões. Com a forte piora da conta corrente nos últimos meses, o BC elevou em 22,5% sua projeção de saldo negativo em 2010, para US$ 49 bilhões. Se confirmado, este será novo recorde da série, que tem início em 1947.
Se a estimativa do BC estiver certa, neste ano o Investimento Estrangeiro Direto (IED), aquele voltado para a produção de bens e serviços, não será suficiente para cobrir o rombo na conta corrente, o que não ocorre desde 2001. O BC prevê ingressos de US$ 45 bilhões em IED para 2010. Apesar do volume elevado, restarão ainda US$ 4 bilhões para fechar o buraco deixado pela saída de dólares na conta corrente, o BC acredita que essa deficiência será suprida pela entrada de dólares para aplicações em ações e renda fixa ou por meio de empréstimos tomados por empresas brasileiras no exterior.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse não ter nenhuma preocupação com a perspectiva de financiamento do deficit em conta corrente, já que há fontes suficientes de recursos externos para o Brasil além do IED. ''A perspectiva é boa para a economia brasileira e isso atrai mais investimentos em ações e renda fixa,'', disse Altamir, lembrando ainda que a busca de empréstimo no exterior por empresas brasileiras é um sinal positivo de que o mercado externo está aberto para companhias nacionais.
Segundo ele, além de haver financiamento suficiente para cobrir o deficit em conta corrente, o Brasil está em uma situação bem menos vulnerável do que no passado, porque tem reservas internacionais elevadas (eram US$ 243,7 bilhões no fim da semana passada). Ele lembrou que a média histórica desde os anos 70 é de deficit externo representando mais de 50% das reservas. Hoje, no entanto, essa relação está em 20%, mostrando maior solidez da economia.


