Dallas - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, está confiante de que o Brasil poderá no final do ano que vem andar com as próprias pernas, saindo do âmbito dos programas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ao voltar para o País, após participar do seminário Dívida Soberana no Século XXI, promovido pelo Federal Reserve de Dallas, Meirelles disse estar confiante de que o novo acordo com o FMI, que termina no final do ano que vem, será o último.
Meirelles citou três motivos pelos quais o Brasil decidiu ser mais favorável a assinar um novo acordo com o FMI. Primeiro, o acordo atual com o Fundo dá o direito ao Brasil de sacar ainda US$ 8 bilhões. ''Mas, em vez de sacá-los, decidimos incluir este valor em um novo acordo, com a quantia adicional de US$ 6 bilhões'', explicou Meirelles.
Para ele, sendo assim, o Brasil fica com um nível confortável de reservas internacionais brutas, que se aproxima de US$ 50 bilhões. ''Nós acreditamos que não é necessário para o Brasil sacar tanto os US$ 8 bilhões como os US$ 6 bilhões adicionais do novo acordo. De fato, a nossa intenção no cenário mais provável é não usar este dinheiro'', acrescentou.
Meirelles disse que o dinheiro com o novo acordo com o FMI servirá como ''seguro'' para o Brasil em caso de algum choque externo ou volatilidade ruim no mercado internacional. ''Achamos conveniente ter este seguro, pois se não precisarmos usá-lo não teremos de pagar nada. É melhor do que ter de captar estes recursos no mercado, em caso de necessidade, pagando caro por isso'', explicou.
O segundo motivo para assinar o novo acordo, prosseguiu Meirelles, foi permitir ao Brasil rolar a parcela de vencimentos dos empréstimos com o Fundo. ''Com isso, conseguimos estruturar um fluxo de caixa com o FMI mais adequado, porque casa bem com a nossa intenção de transformar este novo acordo no último com o FMI. Assim estamos preparando uma saída mais suave do Brasil com os programas do Fundo.''
Meirelles ainda destacou que esse novo fluxo de caixa, proporcionado com o novo acordo, aliado ao cronograma de financiamento externo (captações no mercado internacional), proporciona ao Brasil um panorama confortável para decidir uma saída definitiva dos programas com o FMI.
O terceiro motivo, de acordo com Meirelles, foi o fato do FMI estar endossando e aprovando a política econômica adotada pelo governo Lula, uma vez que este é o primeiro acordo totalmente negociado pelo novo governo. ''Os fundamentos e os indicadores macroeconômicos estão melhorando substancialmente, e esse endosso do FMI, com a assinatura do novo acordo, é uma boa maneira para o Brasil voltar ao mercado de uma forma melhor.''

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