O governo vai anunciar na quarta-feira medidas para forçar a redução das taxas de juros cobradas dos consumidores. A informação é do diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, que, no mesmo dia, divulga o comportamento das taxas em outubro. Há um ano, foi lançado o primeiro grupo de medidas, no total de 21, que levaram à queda dos juros cobrados no crédito direto ao consumidor e também no cheque especial.
Segundo as avaliações do BC, o maior peso das taxas de juros ao consumidor está no ‘‘spread’’. Ou seja, a diferença entre a taxa que as instituições captam o dinheiro e aquelas que cobram em empréstimos.
Esta diferença chegou, em termos gerais, a 65% e, em setembro, havia baixado para 37,2%. No cheque especial, o spread já superou 150% e em setembro era de 134,6%. O Banco Central já chegou a anunciar que adotaria medidas específicas para reduzir o spread do cheque especial. Mas Figueiredo admitiu que forçar a queda das taxas neste tipo de crédito é mais difícil porque não depende tanto de concorrência.
Dentre as principais medidas do ano passado, o Banco Central anunciou reduções graduais do compulsório sobre os depósitos à vista. A alíquota deste compulsório saiu de 75% para 45%. A idéia do governo era chegar ao final do ano com o máximo de 25%. Mas, segundo fontes do mercado, a instabilidade externa pode impedir esta queda.
Com o compulsório mais baixo, os bancos são obrigados a depositar menos dinheiro no BC e, assim, dispõem de mais recursos para emprestar ao consumidor.
Mercado A especulação com o futuro da Argentina acabou se sobrepondo ontem ao feriado americano de Ação de Graças. A Bovespa fechou em baixa de 1,80%, com volume financeiro de R$ 1,227 bilhão. Este giro foi engordado pelo leilão de oferta pública da Bandeirante de Energia (R$ 590 milhões) e pela oferta pública de permuta de ações preferenciais da Klabin por papéis da Klabin Riocell (R$ 231,932 milhões). À vista, o movimento foi de apenas R$ 366 milhões. O índice futuro perdeu 2,18%, para 14.360 pontos.
O dia parecia que ia correr bem no mercado de juros, já que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), ontem à noite, de manter a Selic em 16,5%, sem viés, era esperada pela maioria das instituições financeiras. Mas aconteceu o contrário. A notícia de que o FMI teria alertado a Argentina de que a ajuda financeira do Fundo só sairia após a aprovação de todo o pacote de medidas anunciado pelo governo jogou o mercado brasileiro para baixo.
O mercado cambial foi dominado ontem pelo mau humor. No encerramento dos negócios, o comercial valorizou-se 1,09% frente ao real, cotado na venda a R$ 1,954. Esse avanço engordou o ganho acumulado neste mês, até o momento, para 2,79%.

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