BC pode começar redução de juros em agosto
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sábado, 25 de junho de 2005
Sheila D'Amorim<br>Agência Estado 
Brasília - O Banco Central (BC) poderá retomar a redução da taxa de juros mais rapidamente, agora que ganhou maior flexibilidade para garantir que a inflação, hoje em 8%, caia para 4,5%. O fator determinante será o ritmo de crescimento da economia no segundo trimestre. O BC aposta que, depois do aumento pífio de 0,3% ocorrido no período de janeiro a março, a economia vai acelerar nos meses seguintes. E sabe que será cobrado dentro do governo caso isso não aconteça.
''Se o resultado do segundo trimestre for igual ao do início do ano ou menor, o BC será surpreendido porque espera algo mais forte e, aí, poderá reduzir juros já em agosto'', avalia Sérgio Werlang, ex-diretor de Política Econômica do BC, responsável pela instituição do regime de metas de inflação no Brasil.
E a queda dos juros poderá acontecer sem prejuízo do controle da inflação, acredita Werlang. Como o aumento dos juros demora, no mínimo, seis meses para surtir efeito integralmente na economia, o valor estabelecido a partir de agora influenciará muito mais os indicadores econômicos do início do ano que vem do que os de 2005.
A inflação de 2006, segundo projeções do próprio BC, considerando juros de 19,75% ao ano, estão abaixo do centro da meta de 4,5%, conforma a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Há, portanto, espaço para afrouxar a política monetária.
O BC ganhou mais flexibilidade para cumprir a meta de inflação porque, na semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou para 2007 a mesma meta de inflação de 4,5% já estabelecida para 2006. Isso significa que, caso haja necessidade, o BC terá mais um ano para fazer com que a inflação caia para 4,5%. Isso evitaria aperto monetário excessivo, que provoca retração econômica e queda do nível de emprego.
Embora não seja admitido abertamente pela equipe econômica, o que está por trás da fixação de metas iguais para 2006 e 2007 é dar mais tempo para o BC reduzir a inflação. Como a meta desses dois anos tem uma margem de tolerância de dois pontos porcentuais, o objetivo é considerado cumprido se a inflação ficar entre 2,5% e 6,5%. Por isso, se a inflação de 2006 ficar em 5%, por exemplo, a meta é considerada cumprida. Reservadamente, esse resultado não é descartado. A inflação chegaria a 4,5% em 2007.
''É bom lembrar que, desde a implementação do real, em 1994, só em 1998 a inflação no Brasil foi menor que 4,5%'', observou o ex-presidente do BC Gustavo Loyola, ao argumentar que uma trajetória mais suave para a meta não traria nenhum prejuízo para o País nem para credibilidade do regime de metas. Segundo ele, o importante é manter o compromisso com a queda do IPCA ano a ano, dentro do intervalo estabelecido.


