BC pode abrir caixa-preta da venda
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
Os antigos donos e acionistas do Banco Bamerindus comemoraram ontem a divulgação, pela Folha de São Paulo, de um relatório do Banco Central que aponta irregularidades no processo de liquidação do banco paranaense . O ex-presidente do Bamerindus José Eduardo Andrade Vieira disse que a postura do Banco Central poderá desencadear um processo para mostrar a caixa-preta do governo federal que envolveu o processo de intervenção no Bamerindus, em março de 1997. Espero que o Banco Central dê continuidade às averiguações, afirmou.
Para o ex-presidente do banco, é de extrema importância trazer à tona detalhes do processo de intervenção. Ele ressaltou que houve muito mais irregularidades na liquidação e no processo que antecedeu a intervenção. José Eduardo citou como exemplo o caso da venda da Seguradora Bamerindus.
O então liquidante José Carlos Alvarez vendeu a seguradora para o HSBC pelo preço de seu valor patrimonial, que girava em torno de R$ 400 milhões, sem levar em conta que a empresa era saudável. Sequer houve avaliação da seguradora. Segundo ele, a lei proíbe que o liquidante venda um ativo. O correto teria sido avaliar a seguradora e fazer um leilão público, disse.
Isso aconteceu quando o Itaú vendeu 50% de sua seguradora. O banco conseguiu um ágio de 50%. José Eduardo afirma que tem uma relação de operações e procedimentos mal feitos que resultaram em prejuízo para o Bamerindus e em benefício para o banco que assumiu, o inglês HSBC.
Um dos acionistas minoritários do Bamerindus, Paulo Sérgio Feres, disse que os fatos que vieram à tona, ontem, comprovam o que eles sempre denunciaram, ou seja, que houve irregularidades no processo de intervenção. Já sabíamos que o Gustavo Franco (diretor e posterior presidente do Banco Central) era um irresponsável pela forma como foi feita a intervenção, acusou. Ele lembrou que o Bamerindus, um banco com 2 milhões de clientes e com mil agências no País, foi entregue de graça para o HSBC. Ainda por cima, o HSBC pôde financiar junto ao governo federal o dinheiro para comprar o Bamerindus, disse.


