O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, afastou a possibilidade de que o governo brasileiro esteja pretendendo fazer uma blindagem financeira para se proteger dos efeitos de uma moratória da Argentina. ‘‘Não existe isso’’, respondeu o diretor ao ser questionado. À tarde, porém, circulavam rumores no mercado financeiro de que bancos estrangeiros estariam dispostos a oferecer recursos ao governo brasileiro, caso o país vizinho fosse à bancarrota.
Depois de um dia considerado turbulento no mercado financeiro Gleizer, juntamente com o presidente em exercício do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo e o diretor de Política Econômica, Ilan Goldfajn, compareceram a uma reunião no Ministério da Fazenda com o chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), Lorenzo Perez.
A equipe econômica não quer admitir neste momento que renovará o acordo com o Fundo para ter mais recursos à sua disposição. Segundo fontes da equipe econômica, o governo brasileiro pretende sacar as parcelas às quais tem direito antes de o acordo em vigor até 1º de dezembro. São pelo menos US$ 1,084 bilhão, dos quais US$ 650 milhões com disponibilidade imediata.
Existem mais duas tranches no valor de US$ 217 milhões cada uma, mas que ainda estão condicionadas ao cumprimento de metas estabelecidas no programa.
A cada nova revisão do acordo, o Brasil pode solicitar o desembolso ao Fundo, desde que alcance as metas. As metas do segundo trimestre do ano, ou seja, a 8ª revisão do acordo, estão sendo avaliadas agora com a visita da missão do Fundo chefiada por Lorenzo Perez que encerrará amanhã. Além de sacar os recursos, o governo brasileiro não deverá quitar antes do prazo os US$ 1,8 bilhão como estava previsto antes da piora da situação argentina.
Uma renovação do acordo com o Fundo seria uma última alternativa para sinalizar maior tranquilidade ao mercado financeiro. O governo pretende sacar as tranches e guardar a possibilidade de um novo acordo como uma carta na manga. Até mesmo o presidente Fernando Henrique Cardoso já afirmou publicamente que não descarta a possibilidade de um novo acordo, desde ‘‘que seja necessário’’. Um novo acordo com o Fundo não estava nos planos políticos do governo, principalmente porque 2002 é ano eleitoral.

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