BC não vai socorrer banco quebrado
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quinta-feira, 08 de fevereiro de 2001
Agência Estado De São Paulo 
O Banco Central (BC) decidiu que não vai mais cobrir com recursos públicos o rombo dos bancos que quebrarem sem causar risco sistêmico ao mercado financeiro. Um voto aprovado ontem pela diretoria estabelece que os bancos que forem liquidados não poderão mais fazer saques a descoberto em sua conta de reservas bancárias, que funciona como uma espécie de conta corrente que as instituições financeiras têm no BC. Para isso, o BC vai estornar toda a compensação feita na madrugada anterior à liquidação do banco. A decisão já foi colocada em prática ontem mesmo, quando o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Interior de São Paulo.
A nova regra, entretanto, não valerá de forma uniforme para todos os bancos. De acordo com o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, se um banco de grande porte estiver quebrado e precisar ser liquidado, a diretoria fará uma análise sobre o caso.
Essa alteração só valerá na prática até o início de agosto, quando começará a funcionar o novo sistema de pagamentos do BC, que transfere para os bancos a cobertura dos rombos no mercado financeiro, sem diferenciar as instituições por tamanho ou risco sistêmico. Se a regra atual valesse para todos os bancos que receberam empréstimos do Proer, o BC teria evitado um prejuízo de R$ 14,4 bilhões para os cofres públicos.
LiquidadoO Banco Interior de São Paulo, primeiro a ser atingido pela regra do BC, teria registrado um rombo de R$ 320 mil se pudesse ter sacado a descoberto de suas reservas bancárias. Como o BC glosou a compensação, todos os cheques da instituição que seriam compensados ontem serão devolvidos e o prejuízo, em vez de ficar com o BC, será transferido para os correntistas ou quem tinha créditos contra o banco.
Quem tiver os cheques devolvidos não será inscrito no cadastro de cheques devolvidos do BC ou no Serasa, segundo Figueiredo, porque a causa da devolução não foi a falta de saldo na conta corrente, mas a quebra do banco. Com os cheques em mãos os 13,4 mil correntistas do banco poderão negociar diretamente um novo pagamento com seus credores.


