BC não impede alta do dólar e do risco-país
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sexta-feira, 14 de junho de 2002
Agência Folha 
São Paulo O mercado testou ontem o pacote calmante lançado pelo governo para amenizar as fortes turbulências financeiras. Os números do fechamento dos indicadores internos não refletiram a forte volatilidade dos mercados ontem.
O dia foi de forte instabilidade, embora alguns analistas o tenham considerado como positivo. Apesar da forte oscilação, os indicadores não acompanharam a intensa deterioração do risco-país brasileiro. O indicador do JP Morgan, que mede a capacidade de um governo honrar suas dívidas, subiu 6,3% para 1.315 pontos, seu maior valor em dois anos e meio. Neste cenário o dólar subiu apenas 0,18% e fechou cotado a R$ 2,715. Encerrou a semana com valorização de 3%.
O dia foi relativamente bom, afirma Carlos Kawall, economista-chefe do Citibank. Apesar de o risco Brasil ter sido o maior desde 1999, os juros e o câmbio não acompanharam a deterioração. No início da manhã, as primeiras negociações sinalizavam mais um dia de forte tensão. A cotação do dólar no mercado futuro disparou para R$ 2,75, o que indicava uma abertura com forte alta da moeda norte-americana no mercado à vista. Antes que estas negociações fossem abertas, o Banco Central fez uma consulta a bancos e vendeu dólares para a acalmar o mercado na abertura do pregão. O valor da intervenção só será divulgado na terça-feira.
A partir daí, a moeda oscilou entre baixa de 0,89% e alta de 2,07%. Após a abertura em queda, o dólar começou a subir. Inverteu novamente a tendência com o anúncio de que o BC elevaria o compulsório dos bancos. À tarde, com o descontrole do risco-país, voltou a se valorizar.
Segundo Miriam Tavares, da corretora AGK, o risco-país não se recuperar porque aos olhos do investidor internacional a atual crise brasileira não está apenas localizada no mercado. O estrangeiro vê os riscos de o governo perder as eleições, a dificuldade de rolagem da dívida pública, a piora de indicadores econômicos, como os de crescimento e de emprego, além dos juros altos. Esses não são problemas localizados no mercado, diz.
A próxima semana deverá ser decisiva para o mercado. Na quarta-feira, haverá o vencimento de R$ 2,5 bilhões em dívida cambial. Nesta semana, o BC tentou rolar este débito e não conseguiu, o que fez crescer a tensão. Provavelmente o BC terá de apresentar o poder de suas armas, anunciadas anteontem, para tentar conter uma pressão compradora da moeda.
Se o BC tiver sucesso na quarta, o mercado poderá se tranquilizar e o dólar iniciar uma tendência firme de queda, afirma Marcelo Schmitt, do banco Lloyds TSB. Até lá, prosseguirá um teste velado do mercado com o BC. Investidores querem entender qual será, de fato, a forma de a instituição atuar no mercado.
Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), os negócios com o juros também foram nervosos. Os contratos mais negociados e que servem de referência para o mercado, com vencimento em janeiro de 2003, subiram para 23,01%, ante 22,41% anteontem.
Há analistas que acreditam que o BC poderá até elevar os juros na semana que vem, mas a maioria acredita em manutenção. Embora minoria, há o que esperam por um corte. Se o BC reduzir os juros, será o fim da credibilidade da instituição, afirma Helio Osaki, analista da Finambras.


